segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Corrupção: a paciência nacional está acabando

Alberto Fioravanti – Membro da Academia Campista de Letras (ACL)
Ninguém, exceto os delinquentes, se opõe à luta contra a corrupção, a impunidade e a cooptação do Estado, e no nosso caso a luta tem sido grande e já vemos alguns esultados com a operação Lava-Jato. Um estado infestado de corrupção está condenado a fracassar e é com tristeza que vejo o que acontece no Brasil, com políticos processados e alguns já condenados e presos. Apesar do que isso implica para alguns, sinto que estamos vendo um estado em falência, e cito um forte argumento: “97% dos crimes, de um roubo simples a um assassinato qualificado, permanecem em impunidade”. Isso mostra que, em nosso país, o sistema de justiça não é mais do que uma jogada bruta de terceira categoria.
Mas alguém precisa de mais argumentos? Eu ofereço mais três: o total de pessoas que vivem na mais triste extrema pobreza passou de 10 milhões em 2012, para 10.5 milhões no ano passado, e o encolhimento da economia no período 2015/2016 fez o contingente de brasileiros pobres aumentar para 22 milhões, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Reconheço que esses dados podem não ser precisos, mas são baseados em estudos sérios, mas em qualquer caso, pelo que vemos pelas ruas das nossas cidades, ninguém pode negar que no nosso país transborda pobreza, doença e desigualdade social.
Assim, enquanto o Brasil não se transformar, continuaremos a ser um país fracassado para os próprios brasileiros, e continuaremos sendo, nas agendas internacionais, como um país de grande riqueza, mas problemático. Continuaremos a expor-nos como um país desejável para o tráfico ilegal, para a destruição de recursos naturais ou para o tráfico de drogas. Para a dignidade, todos os brasileiros devem rejeitar esta situação. Nossos avós, pais, filhos e netos não merecem serem qualificados como tal. Não é aceitável que uma máfia meticulosamente articulada tenha nos levado a esse extremo. O objetivo deveria ser capturar pessoas corruptas para dar lugar a funcionários capazes e honestos, mas isso não está acontecendo e nossa gente já a conhece.
No contexto da luta contra a corrupção e a cooptação do Estado, devemos nos tornar intensamente ativos. Muitas capturas já ocorreram, muitos processos criminais, mas poucas convicções. E mais do que isso, no que diz respeito aos processos de extinção de domínio e redirecionamento dos recursos apreendidos, somos ainda pior. Pode não ser a solução, mas gostaríamos que todos os brasileiros vissem novas estradas, hospitais e escolas construídas com esses fundos e funcionando. Mas nada disso acontece. E, no contexto de toda essa atividade, devemos nos perguntar: qual é o objetivo mais importante da luta contra a corrupção? Eu respondo: eliminar as máfias parasitas embutidas nas estruturas do Estado para dar lugar a novas autoridades, experientes, treinadas, honestas e responsáveis. E no último ponto estamos piorando. Pelo que tristemente se vê, nós deixamos um governo corrupto para prosseguir com outro muito parecido.
E se seguimos essa rota por inércia, passaremos toda a nossa vida a julgar corruptos à medida que o país afunda em uma lama cada vez mais implacável. Algo que estamos fazendo de errado e somos forçados a assistir aos rituais processuais e as “camisolas” de força impostas por uma constitucionalidade cúmplice que impõe prazos eleitorais, que acabam por ser um cheque em branco e a principal segurança para as máfias, de modo que, no final, tudo permanece o mesmo. Paz e Bem!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

São Benedito, um santo muito festejado

                                                            Alberto Fioravanti – Membro da Academia Campista de Letras (ACL)
     São Benedito é o primeiro negro canonizado na Igreja e seu exemplo de vida merece ser seguido e ele é festejado solenemente em todo o Brasil nas mais variadas datas, segundo as tradições locais, mas em Campos dos Goytacazes, onde tudo acaba, até um rescrito papal, do Papa Leão XIII, que autoriza a Irmandade e a Paróquia de São Benedito a celebrar seu santo padroeiro no segundo domingo da Páscoa é respeitado. Lembro que o dia 5 de outubro foi estabelecido pela CNBB como memória facultativa, mas não como dia de São Benedito.
São Benedito descendia de escravos oriundos da Etiópia, na África. Foi pastor de ovelhas e lavrador. Aos 18 anos de idade, empolgado com a fé cristã, consagrou-se a Deus. Aos 21 ingressou na ordem dos franciscanos. Fez votos de pobreza, obediência e castidade. Uma característica interessante de São Benedito é que ele era analfabeto e no convento, ele foi designado cozinheiro, uma função comum nos conventos, porém, de grande responsabilidade. Era um cargo de extrema confiança. São Benedito caminhava descalço pelas ruas e dormia no chão sem cobertas. Por causa de sua fama de santidade, era muito procurado pelo povo, que desejava ouvir seus conselhos e pedir-lhe orações. Ele retirava mantimentos do Convento, escondia-os em suas roupas e os levava para atender aos famintos da cidade.
    Seu nome era Benedito Manasseri e nasceu na pequena localidade de São Filadelfio, na província de Messina, em um dia não especificado de 1524. Ele era filho dos escravos Cristóvão e Diana, originários da Etiópia, e por decisão de Manasseri, dono dos escravos, ele nasceu livre e também seu irmão chamado Marco e duas irmãs, Baldassara e Fradella, todos menores do que ele. Desde pequeno ele demonstrava vontade pela solidão e autopenitencia que o fez ganhar o apelido de santo, apesar de ser maltratado pelos seus coetâneos. Aos dezoito anos, ele deixou a casa dos pais e trabalhando por conta própria começou a ajudar os pobres. Com a idade de vinte e um anos, ele foi para o eremitério de Santa Domenica. Com a morte do fundador da ermida de Santa Domenica, Girolamo Lanza, foi eleito superior pelos confrades, apesar do analfabetismo. Em 1562, o papa Pio IV cancelou a comunidade e os confrades tiveram que procurar hospitalidade em outros conventos. Benedito escolheu a ordem dos reformados Frades Menores, e foi primeiro enviado ao convento de Santa Anna de Giuliana, onde permaneceu quatro anos, depois ao convento de Santa Maria de Jesus em Palermo, onde permaneceu até sua morte.
    Inicialmente, Benedito trabalhou como chefe de cozinha, depois se tornou superior do convento em 1578, depois trabalhou com os novatos e, finalmente, passou a cozinhar. De acordo com a tradição, ele realizou muitos milagres; Ele tinha fama de santidade até mesmo durante sua vida, de modo que muitos eclesiásticos, teólogos e até mesmo o vice-rei confiaram em seus conselhos antes de tomar decisões importantes. Em fevereiro de 1589, Benedito foi acometido por uma doença grave e morreu no dia 4 de abril, no mosteiro de Santa Maria de Jesus, com fama de santidade. Foi beatificado em 1763 e canonizado em 1807. No Brasil a devoção a São Benedito chegou em 1686, antes mesmo da sua beatificação e canonização, cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele. Paz e Bem!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018


O Nosso Anjo da Guarda!

2 de outubro de 2015.

  Hoje é o dia dedicado aos Santos Anjos da Guarda. Quando eu era pequeno, uma das primeiras orações que minha mãe me ensinou e que ainda hoje eu rezo todos os dias foi: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou à piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.” Eu sei que, como a Igreja Católica nos ensina, a existência de seres espirituais, não corporais, habitualmente chamados de anjos, é uma verdade de fé.



   Anjos da guarda, ou anjos guardiães, são os anjos que Deus envia no nosso nascimento para nos proteger durante toda a nossa vida. A Bíblia sustenta em muitas ocasiões a crença no anjo da guarda: "Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei". (Êxodo 23, 20). Eu acredito que todos nos temos um anjo amigo e companheiro de verdade. Muita gente não se dá conta da presença desse anjo amigo, mas eu sinto sua presença ao meu lado, principalmente quando escrevo ou quando me concentro.

   Entendo que a missão do Anjo da Guarda é grande e que ele nos protege e nos livra das situações de perigo. Pelo que me tem ocorrido ultimamente, sinto que quanto mais intimidade tivermos com nosso anjo da guarda e mais próximos dele estivermos, mais sensíveis estaremos ao que ele nos transmite. Não pensava assim, mas hoje sei que podemos manter um dialogo construtivo com nosso anjo da guarda, e mesmo sem saber seu nome, podemos pedir sua ajuda nas coisas do nosso dia a dia, pois se elas não forem prejudiciais ao nosso bem, ele certamente vai nos ajudar. É interessante sentir sua ajuda num trabalho ou estudo que vamos executar.

   Dentre os anjos, acredito que Deus escolhe o nosso Anjo da Guarda, que é pessoal e exclusivo, e cuja função é nos proteger até o retorno da nossa alma à eternidade. Assim os Anjos da Guarda estão repletos de dons e privilégios especiais, com uma missão insubstituível. Eles possuem a natureza angélica e espiritual, que é a síntese de toda beleza e de todas as virtudes, por isso ela é impossível de ser representada. Antes de tudo, os nossos anjos são nossos amigos. Não existem segredos entre nós. 

    A história nos mostra que a devoção aos anjos é mais antiga até que a dos próprios santos, ganhando maior vigor na Idade Média, quando os monges solitários receberam a companhia dessas invisíveis criaturas, cuja presença era sentida nas suas vidas de silenciosa contemplação e íntima comunhão espiritual com Deus-Pai. Todavia o nosso Anjo da Guarda, que era tão solicitado e cuidado durante a nossa infância, fica esquecido no nosso cotidiano de adulto, já que descuidamos de sua exclusiva companhia e não percebemos sua angelical presença. Mas eu creio que o nosso Anjo da Guarda ainda continua vigilante do nosso caminhar e de nossas ações e inspirando nossos pensamentos.

   Passei muito tempo sem me comunicar com meu anjo. Nunca o vi, mas sinto que ele sempre esteve presente e atento comigo. Até me fez saber que seu nome é Elesucas. Muitos não acreditam nos anjos, mas é aos anjos da guarda que nos rodeiam e nos querem bem, que dedico esta crônica em agradecimento pela constante inspiração e proteção. Paz e Bem!

Alberto R. Fioravanti.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018


E QUEM É O BEM-AVENTURADO
DOM TIAGO ALBERIONE



       Na noite da passagem do século XIX para o século XX, de 31 de dezembro de 1900 para o dia 1o de janeiro de 1901, um jovem seminarista permanece quatro horas em oração na Catedral de Alba (Itália). Uma luz vem do Tabernáculo e o envolve. - "Fazer alguma coisa por Deus e pelas pessoas do novo século, com as quais conviveria!" E esse seminarista sente fortemente o convite e o apelo de Deus.

      Nessa época o mundo passava por profundas transformações, mudanças sociais e tecnológicas, e era necessário utilizar as novas descobertas e as novas forças do progresso para fazer o bem, e para evangelizar.

Esse jovem seminarista, com apenas dezesseis anos, era Tiago Alberione, o futuro fundador da Família Paulina, que nunca deixou que essa chama luminosa se apagasse em sua vida.

Tiago Alberione (em italiano, Giacomo Alberione) nasceu em 4 de abril de 1884, na cidade de São Lourenço de Fossano, no norte da Itália, e era filho de uma família de camponeses simples e laboriosos. Vinte quatro horas após o seu nascimento, ele foi batizado e recebeu o nome de "Tiago".

Buscando melhores terras para a lavoura, a família Alberione mudou-se para a cidade de Cherasco, onde Tiago passou toda a sua infância e adolescência. Foi lá que se manifestou a sua vocação para o sacerdócio.

- “Quero ser padre!” foi a resposta que ele deu à professora, Rosina Cardona, que perguntava aos seus oitenta alunos o que eles queriam ser quando crescessem.

           A resposta, que poderia parecer impensada, veio de um menino de bom coração e piedoso. Com o passar do tempo, a vocação fortificou-se e ele foi encaminhado para o seminário, onde não perdia tempo e procurava aprender de todos e de tudo. Inquietavam Alberione as transformações que aconteciam na sociedade e os apelos do papa, Leão XIII, para que todos se voltassem para Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, salvação da humanidade.

Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1907, com vinte e três anos de idade. Todas as organizações de renovação existentes, então, na Igreja foram acolhidas por padre Alberione, que participou, ativamente, dos movimentos: missionário, litúrgico, pastoral, social, bíblico, teológico e, mais tarde, do movimento ecumênico. Em todos os movimentos Alberione-profeta vislumbrava espaços carentes de evangelização e atualização.

            Impulsionado pelo Espírito Santo, tornou realidade sua intuição carismática com a fundação de várias congregações e institutos para, juntos, anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, com os meios da comunicação social. Padres e irmãos Paulinos em 1914; Irmãs Paulinas em 1915; Discípulas do Divino Mestre em 1924; Irmãs Pastorinhas em 1938; e Irmãs Apostolinas em 1957. Fundou, também, os institutos seculares de Nossa Senhora da Anunciação e São Gabriel Arcanjo em 1958; os institutos Jesus Sacerdote e Sagrada Família em 1959; além da Associação dos Cooperadores Leigos em 1917. Hoje, os membros dessas fundações estão presentes em todos os continentes mostrando que é possível santificar-se e comunicar, a todas as pessoas, Jesus Cristo com os meios técnicos e eletrônicos.

            Após a fundação dos dois primeiros ramos - Paulinos e Paulinas - a vida de Alberione fundiu-se com suas obras nascentes. Acompanhava de perto a vida de seus filhos e filhas da Itália e do exterior com numerosas e prolongadas viagens. Preocupava-se não só com fundações e organizações, mas principalmente com a formação e a vida religiosa de seus seguidores, apesar do conturbado contexto histórico em que viveu: duas grandes guerras, revolução industrial, conflagrações nacionalistas e sociais, emancipação dos operários e da mulher, além de crises institucionais na família e na Igreja.

Padre Tiago Alberione, jamais esmoreceu, continuou firme na sua fé, acreditando que a obra que realizava era querida e abençoada por Deus. Com humildade e coragem, o fundador da Família Paulina, o profeta e o apóstolo de uma evangelização moderna, chegou ao fim de seus dias em 26 de novembro de 1971, aos oitenta e sete anos.

O reconhecimento da santidade de Alberione já acontecera antes da declaração oficial da Igreja, especialmente com algumas declarações de dois papas seus amigos: o bem-aventurado João XXIII e Paulo VI. "Padre Alberione, veio ao meu encontro" - dizia o "papa bom". "Parecia-me ver a humildade personificada. Ele, sim, é um grande homem!" E Paulo VI, na audiência concedida aos Paulinos em 27 de novembro de 1974, recordava: "Lembro-me do encontro edificante com padre Alberione, ajoelhado, em profunda humildade. Este é um homem, direi, que está entre as maravilhas do nosso século".

O processo de beatificação percorreu um longo caminho. Após a morte de Alberione, foram apresentados à Igreja documentos sobre sua vida, sua missão apostólica e suas fundações, assim como documentos sobre sua santidade.

Baseados em um meticuloso exame desses elementos e reconhecidas as virtudes praticadas em grau heróico pelo servo de Deus, padre Tiago Alberione, o papa João Paulo II, em 25 de junho de 1996, declarou-o "venerável".

Passaram-se sete anos à espera de um milagre que fosse reconhecido como autêntico pela Igreja. E o milagre chegou.

A cura milagrosa atribuída ao padre Tiago Alberione, que o conduziu à beatificação, salvou Maria Librada Gonzáles Rodriguez, uma mexicana de Guadalajara. Em 1989, ela foi internada por causa de uma insuficiência respiratória provocada por uma trombo embolia pulmonar, com muitas crises. Pedindo a Deus a cura por intercessão de padre Alberione, doze dias depois teve alta. A cura foi reconhecida pela Congregação das Causas dos Santos, após a declaração da comissão médica que considerava a recuperação de Maria rápida, completa, duradoura e não explicável à luz da ciência.

E o dia da beatificação chegou: 27 de abril de 2003. Padre Tiago Alberione é proclamado "bem-aventurado" num reconhecimento oficial da Igreja àquele homem que foi um santo, um profeta e o pioneiro na evangelização eletrônica.


4 de outubro de 2018.
Alberto R. Fioravanti.

ALGUNS SEGUNDOS NO CÉU!


    Em 2003, com 61 anos de idade, eu tive uma experiência estranha, interessante e muito sui-generis e que me acercou a Dom Tiago Alberione. Com Anair, no mês de março, nós regressavamos ao Brasil num voo sem escalas de Miami ao Rio de Janeiro, da American Airlines, e em um determinado momento, quando o avião já sobrevoa o território do Brasil, eu me sentia estranho, com uma dor no peito e os braços dormentes. Já tendo sofrido um infarto, procurei o comissário de bordo para pedir algum remédio para o coração, mas fui informado que só um médico poderia ter acesso à caixa de remédios de bordo. Então pedi que solicitasse ao comandante do avião que verificasse se, entre os passageiros, haveria algum médico. Para minha sorte havia uma cardiologista que regressava ao Brasil (podem imaginar a sorte de ter uma cardiologista a bordo). Ela regressava ao Brasil depois de ter acompanhado um paciente aos Estados Unidos. 


   Fui examinado pela médica (lamentavelmente não lhe perguntei seu nome) e tomei os remédios apropriados que ela levava em sua bolsa. A minha pressão sanguínea estava bem elevada e me levaram para primeira classe e me colocaram deitado. Passado alguns minutos a médica me perguntou como me sentia, mas a dor não tinha melhorado. Em vista disso ela informou ao capitão que eu não chegaria vivo no Rio de Janeiro para ser atendido, e, portanto recomendou que o avião fizesse um pouso de emergência em Brasília, que estava próximo.

   O café da manhã já estava sendo servido, e escutei o comandante informando que iriam parar o serviço para fazer um pouso de emergência em Brasília para deixar um passageiro que se sentia mal (esse passageiro era eu).

   Lembro-me bem desses momentos de angústia. Desci do avião numa maca, indo direto para uma ambulância que me esperava ao pé da escada do avião e fui levado às pressas para um hospital local (onde de ingresso e fui levado direto para a sala de cirurgia onde fui submetido a uma angioplastia). Essa seria a segunda angioplastia que eu fazia. Durante o processo foi acordado o tempo todo (pelo menos eu pensava assim) e eu podia ver os monitores sobre minha cabeça que mostravam o que estava sendo feito dentro de minhas artérias para desbloqueá-los. Meus olhos estavam fixos na tela do monitor e a certa altura eu me lembro de ter ouvido um grito. 

   Depois que o procedimento foi concluído foi levado para a unidade de terapia intensiva e lá permaneceu por dois dias, e de vez em quando ia me lembrando de ter estado num lugar com uma forte neblina, onde eu me sentia maravilhosamente bem. Era uma grande felicidade que me é difícil colocá-la em palavras - e eu estava em um lugar de nevoeiro, cinzento e nublado. 

   Num certo momento eu comecei a ver, através da névoa, rostos de pessoas não conhecidas e que estavam em torno de mim, a uns 6 metros de distância – e a felicidade que eu estava sentindo se transformou em preocupação, uma vez que percebi que me olhavam com uma cara séria e sombria – em minha mente veio uma pergunta: "Por que são eles olhando para mim assim, pois não fiz nada de errado?". Enquanto eu estava pensando que, eu vi um homem, vestido com uma túnica branca, ele foi menor do que eu, mais ou menos careca, com uma cara séria e sombria, próximos caminhando em direção a mim (eu não podia ver o chão ou se estava de pé sobre um terreno). Eu podia ver a cara do que o homem muito Fechar. E quando ele estava na frente de mim ele me deu um soco com ambas as mãos e gritei: "Aiiiiii", como o que eu me lembro de ter ouvido enquanto olha para o monitor, na sala de cirurgia. Quando eu deixei a unidade de cuidados intensivos, mencionei ao médico o que eu escrevi acima e ela me disse que para ela era uma experiência extracorpórea que eu tinha, e ela me disse que meu coração parou de bater por 36 segundos (não tão longos como no seu caso), e eu tive de ser revivido com choque elétrico. 

   Eu sou católico e sigo o ensinamento da Igreja, e eu nunca pensei que eu iria passar por essa experiência. Com esta experiência, que comecei a tentar lembrar as características da pessoa que me deu o soco – desde que ele era careca e meu pai também era careca, eu tentei melhorar o foco em seu rosto para ver se ele era meu pai. Mas eu não lograva ver o rosto do meu pai.

   Em outubro de 2003, eu fui a Roma para visitar amigos (eu morava em Roma há 18 anos ao trabalhar para as Nações Unidas). Eu e Anair fomos convidados para jantas pela Irmã Mercedes Mastrosteffano, da Ordem Paulina. Lá ela nos levou para visitar a Basílica Regina Apostolorum e o Museu do fundador da Ordem dos Paulinos, Dom Tiago (Giacomo em italiano) Alberione, que tinha sido Beatificado em abril de 2003. O museu do fundador consistia do seu escritório, seu quarto de dormir e uma sala com lembranças que recebeu durante suas viagens, que estavam dentro de vitrines de vidro protegido.

   Curioso que sou, para ver os diplomas e medalhas me antecipei para ver a sala com as recordações. Nas ultimas vitrines, antes da porta de saída para o corredor havia manequins de alfaiate, dois numa vitrine e um na ultima. Esses manequins são aqueles sem cabeça, e neles estavam as batinas que Dom Alberione usava. Ao chegar á ultima vitrine onde estava o manequim com a batina branca, ao olhar para ela, eu vi Dom Alberione sorrindo e acenando para mim. Então, nesse momento eu reconheci que ele era a pessoa que me deu o empurrão que me enviou de voltar a esse mundo. Nesse instante eu comecei a chorar copiosamente e lágrimas abundantemente saiam dos meus olhos. Minha esposa com a Irmã, que vinha atrás pensou que eu não estava me sentindo bem, e eu lhe expliquei o que havia visto. 

   Saindo da área de museus, havia uma mesa com lembranças de sua beatificação, que eu apanhei para trazer. Inclusive um santinho com a sua foto e quando eu estava olhando para ela, ouvi uma voz perto do meu ouvido dizendo em italiano: "Nós conseguimos, Eh!" Ainda tenho essa experiência gravada em minha mente como se tivesse acontecido hoje.

   Com efeito, lembro-me bem como eu me sentia tão bem e feliz naquele lugar que não sei onde era – tive um pouco de angustia ao ver, entre a neblina, pessoas me olhando com caras preocupadas e ao receber o empurrão de volta á terra. E foram apenas 36 segundos do nosso tempo e não do tempo de Deus, que durou a parada cardíaca.

   Minha experiência foi em um lugar cinzento e nublado e me senti maravilhoso, e posso imaginar como deve ser maravilhoso estar num lugar de luz brilhante, no céu.

Escrito por
Alberto Rosa Fioravanti


quarta-feira, 3 de outubro de 2018



PORQUE A IGREJA SE OMITE? OMISSÃO NÃO É PECADO?


   Parece que o mundo não se escandaliza mais com as variantes sexuais que se vê na mídia. O sexo oral já foi tema explosivo quando a mídia xeretou as intimidades do presidente Bill Clinton, dos EUA; jornais e revistas já exploraram até cenas de uma famosa cantora-freira, que por ser lésbica renunciou à sua ordem e até se suicidou com a amante (Jeanine Deckers que ficou famosa nos anos 1960 cantando " Dominique, nique-nique") ; e os horários nobres da TV, hoje tratam de temas que o “Kama Sutra” proclama, apesar da cínica aclamação popular.

   O sexo já é “quase” explícito até em programas que a TV mostra à nossa infância, e assim a pedofilia se alastra vergonhosamente pelo país, apesar de ações do Ministério Público. Será que isso bom para as crianças?  Tudo isso me escandaliza e mais ainda o “silêncio” das autoridades políticas, judiciais e religiosas. Mas porque esse silêncio? Junto isso à tristeza que me causa o silencio de bispos, arcebispos e cardeais, ante os padres-galãs, Por que será que eles apoiam o endeusamento que a mídia faz de certos sacerdotes? Será que os invejam ou é pelo “dinheiro” que rende esses padres-galãs? Como “ovelha” do rebanho, eu me escandalizo, mas acho que para muitos isso é irrelevante. Creio muito no que Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo. 10). Mas a impressão que fica é que, apesar de ter santos, a igreja ainda tem mercenários. Que tristeza!

   Em inícios de 2009 eu estava nos Estados Unidos e a mídia soou gritos de escândalo e de curiosidade, quase de adolescente, diante do sensual flerte de um casal numa praia, mas isso porque ele era um gentil, bonitão e popular sacerdote da televisão, da rádio e da imprensa. Escândalo sincero? Curiosidade? Hipocrisia? Mas se seus superiores não foram omissos, em que tinham interesse? Nunca pensei ver algo assim.

   Será que se sabe por que Cristo veio ao mundo? Será que as palavras que Ele disse no seu ministério, ainda exercem influencia na igreja católica? Ou será que para competir com o crescimento das igrejas evangélicas no “arrebanho” de fiéis, o uso de qualquer arma é válido? O triste é que tudo isso acontece com o aparente aval dos superiores, com desprezo pela pobreza do povo, e no caso aqui no Brasil, fico perplexo ao ver o endeusamento de um padre, sacerdote católico, artista, escritor, professor universitário, galã e bonitão, se torne no padre-galã-sensual mais bem vestido. Parece piada, mas esse padre “sexy”, amado por mulheres e homens, ganhou até batinas fabricadas por uma famosa grife italiana e confeccionadas com os materiais mais nobres – e a grife diz que estará vestindo os “homens de Deus” com luxo – e vivemos numa nação onde há muitos pobres! Pobre Jesus Cristo, que não tinha luxo e mandava seus discípulos a compartir seus pertences - seria isso coisa ultrapassada? Ou será que Jesus não sabia o que dizia? E a igreja fica calada ante os trejeitos desse padre “galã”. Por quê?

   Na busca por fiéis pareceria que a igreja estivesse a cata que fãs que se apaixonem pelo sensualismo de um padre com corpo modelado por roupas apertadas. Seria essa a nova forma de evangelização? Para mim, isso é vergonhoso e denota um permissivismo que contribui para a desmoralização da Igreja. Então, que dizer do sacerdote apaixonado em Miami, ou do padre-galã, bonitão, bem vestido e sensual, e brasileiro; e das mulheres seduzidas e engravidadas pelo presidente do Paraguai, quando ele ainda era bispo? Ante esses escândalos, que faria Jesus? Ficaria calado? Ou repetiria a cena dos vendilhões do templo?

   Sem mencionar o nome do presidente paraguaio, a Igreja Católica pediu perdão pelos seus escândalos, dizendo que todos estão sujeitos a errar e que cabe a cada uma se arrepender ou não de seus pecados. Isso é certo! E ante a divulgação de que o ex-bispo é pai de três crianças, os bispos brasileiros disseram que isso não desacredita a Igreja Católica, e indicaram que: "As pessoas que construíram a igreja são falíveis. A igreja sempre pregou acolher o pecador, embora não admita o pecado. É claro que um bispo não é só uma pessoa que prega a verdade, mas que precisa viver a verdade. Isso não quer dizer que a igreja vai ficar desacreditada com as fraquezas de seus membros". Seriam os perfumes, as batinas e roupas luxuosas para o padre-galã, confeccionadas dentro de moda, partes de alguma estratégia da Igreja para agradar às jovens que não se interessam pela fé, e assim evitar que a Igreja perca fiéis ante a ascensão das Igrejas Evangélicas e do Ateísmo?

    Espero que Jesus Cristo ilumine os seus sacerdotes. Paz e Bem!
Alberto R. Fioravanti.

terça-feira, 28 de agosto de 2018



DIA DOS PAIS - SAUDADES DE MEU PAI FALECIDO.

   No próximo domingo, dia 13 de agosto de 2017, celebraremos o Dia dos Pais e meu coração transborda de saudades. Saudades do meu tempo de criança em que ao cair e me machucar, um beijo da mamãe e do papai curava tudo, hoje as quedas são muitos mais fortes e a cura muito mais difícil. Saudade de ti meu PAPAI! Saudades de te chamar, de te escutar, de ouvir tua voz, tua risada. Essa é uma saudade que dói muito e esse é um tempo que não volta. Deus quis que eu fosse filho único e de ti sempre recebi tanta admiração, tanto orgulho, tanto bem querer, tanta preocupação, tanto cuidado e tanto amor.

   Se tivesses me perguntado se podias partir, eu te diria NÃO, NUNCA! Eu sempre precisei de ti! Quem sabe se daqui a uns 100 ou 200 anos tu talvez pudesses se afastar de mim, quem sabe ai eu estaria pronto para viver sem a tua presença, sem te ver, sem ouvir atua voz, sem compartilhar contigo uma alegria, sem ter o teu abraço, tão forte e acolhedor a me envolver! Mas, infelizmente, era a hora e tu partiste deixando saudades... eternas saudades, deixando ensinamentos para vida inteira, mas deixando um vazio enorme. Eu tenho a sensação que se tu estivesses aqui, tudo na minha vida daria certo! Teu otimismo, tua confiança, tua segurança, teu amor me fazem tanta falta. Quanta coisa eu não te disse, quantas histórias tuas eu não ouvi.

   Tempo, porque tu não voltas? Para que eu tivesse outra chance, para que eu pudesse te olhar nos teus olhos e te dizer mais uma vez: PAPAI, EU TE AMO! Para que eu pudesse te dizer que sei o quanto Deus me ama, pois me abençoou com uma pessoa linda como tu, pra eu chamar de PAI! Guardo-te nas minhas melhores lembranças, no meu pensamento, no meu coração. Amor que é para sempre, meu pai, AUGUSTO FIORAVANTI! Um homem como poucos, generoso, bem humorado, bondoso, talentoso, carinhoso, engaçado, espontâneo, sincero e honesto. Tantas coisas tu fez por mim durante toda sua vida.

   Como é difícil viver sem a tua presença física querido PAI! Obrigado por tudo! Amo-te muito. Para mim hoje é como estivesses viajando...  O luto não passa, pois a dor da saudade não acaba e se transforma ao avançar dos dias, as lembranças viram companheiras de estrada, e quando o abraço faz falta é só revirar as nossas lembranças e lá está o abraço, o colo, a palavra, o carinho. Tenho um grande e valioso baú de lembranças, graças a Deus eu tive um pai inesquecível, tento todos os dias alcançar só um pouquinho o que ele fez e representa para mim na convivência com os meus filhos, filhas e netos e netas. O meu maior orgulho é ser filho do seu Augusto!

   Saudades é tudo o que fica de quem não pôde ficar... Saudades de meu pai. 

 Aos meus amigos, filhos e netos, eu gostaria de dizer que nesta vida nos escolhemos muitas coisas, mas pai e mãe não. Não terá tempo e nada nesta vida que me faça esquecer-te PAPAI.

   Olhando as estrelas e a lua me trazem lembranças e Saudades, mas não sei como expressar as Saudades que tenho de te encontrar em meus sonhos. Mas te sinto todos os dias andando ao meu lado e parece que a batida de teu peito ensina o melhor jeito para que meu coração te copie. Papai, eu sei que estas no céu e neste Dia dos Pais eu peço a tua benção! Paz e Bem!
Artigo escrito em 2017.
Alberto R. Fioravanti.


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REFLEXÕES DE FIM DE ANO E DE FIM DE TRABALHO: 
exigências para um novo começo!

Alberto R. Fioravanti.
        Estamos no Natal e 2002 já chega ao fim... Esta é a ocasião apropriada para renovar esperanças, para procurar ainda ouvir os sons dos pássaros que cantavam nos bosques que quase não mais existem, e para agradecer a Deus por cada um dos raios de Sol que Ele envia para nos iluminar. Esta é a época de fazermos também um balancete de tudo o que aconteceu durante o ano e de mentalizar como faremos para que o próximo seja um ano muito melhor. Também devemos aproveitar este tempo para analisar as dificuldades passadas, para que elas nos motivem a caminhar com mais firmeza; e que os problemas enfrentados nos incentivem a procurar as soluções mais apropriadas e forças para lutar por bons ideais, sem nunca perder a ternura que deve estar presente em todas nossas ações! Enfim, o amor deve prevalecer sobre todas as coisas... Que as eventuais lágrimas vertidas no passado, expressem e reflitam hoje apenas a nossa alegria de viver e de brindar por cada momento de convívio, e por cada momento de comunhão e de solidariedade. 

         O ANO DE 2002 talvez trouxe tristezas para alguns e alegrias para outros - para mim foi um ano especial, principalmente no que tange as realizações no campo do desenvolvimento socioeconômico do meu Estado do Rio de Janeiro. Chego ao Fim do Ano de 2002 com a grata sensação do dever cumprido. Não fiquei “esperando” acontecer, agi, atuei e “fiz” acontecer.  Procurei fazer o melhor que pude, indo ao encontro, repartindo esperanças, semeando alegria e fraternidade. Para o futuro próximo, visualizo tempos de ALEGRIA, de ESPERANÇA e de PAZ para nossa cidade, para nosso estado e para nosso país.

          O POVO brasileiro espera o milagre chamado de DESENVOLVIMENTO, ONDE TODAS AS CRIANÇAS ESTARIAM NA ESCOLA; ONDE NÃO HAVERIA MAIS MENINOS DA RUA; ONDE AS OPORTUNIDADES DE EMPREGO SERIAM TANTAS QUE NINGUÉM FICARIA NA MARGINALIDADE; ONDE OS HOSPITAIS ATENDESSEM BEM AOS ENFERMOS E QUEM AINDA FOSSE DE BAIXA RENDA NÃO FICASSE SEM ATENÇÃO OU SEM OS REMÉDIOS NECESSÁRIOS; ONDE NINGUÉM PASSARIA FOME; E QUE A JUSTIÇA DOS HOMENS FOSSE REALMENTE JUSTA! Será que isso é UTOPIA?

           Sou privilegiado de viver no Município e na cidade de Campos dos Goytacazes, que possui muitos recursos, financeiros e humanos, mas ao caminhar por suas ruas, fico com o coração partido ao VER FAMÍLIAS INTEIRAS DORMINDO NAS PRAÇAS PUBLICAS OU SOB MARQUISES DE LOJAS; VER CRIANÇAS CHEIRANDO COLA; VER PESSOAS CATANDO ALIMENTO NAS LATAS DE LIXO; VER DELINQÜENTES ASSALTANDO A HONESTOS TRABALHADORES E A IDOSOS INDEFESOS; e o pior de tudo, ver a APATIA das autoridades constituídas. Será que SHOWS e ESPETÁCULOS milionários são mais importantes que setores como EDUCAÇÃO, SAUDE e HABITAÇÃO, que recebem as migalhas dos recursos?

          Sou otimista por excelência, e ainda sem perder a noção da realidade, para o Brasil e para o Estado do Rio de Janeiro, vislumbro que este será um Natal de bênçãos para a população, e que com a alvorada do ANO NOVO de 2003, os nossos novos dirigentes, que assumirão o comando do Brasil e do nosso Estado, serão iluminados para que governem com justiça e promovam o desenvolvimento. “RECTE REMPUBLIAM GERERE” – gerir a coisa pública com retidão, que é o lema gravado no brasão e na bandeira do nosso Estado, servirá de fonte de inspiração para todos os nossos lideres.

         No trabalho sempre me inspirei no desenvolvimento sustentável, e na justiça social, e seguindo o lema de Rotary, sempre procurei dar mais de mim que pensar em mim, e sempre na mente as seguintes palavras: "Onde há uma vontade, há um caminho. Onde há boa vontade, há muitos caminhos!”

          Em 2002 venci muitas batalhas e tive muitas alegrias, entre elas trabalhar para meu Estado do Rio de Janeiro, através do TECNorteParque de Alta Tecnologia do Norte Fluminense, onde com os seus técnicos e funcionários, logramos abrir caminhos e a forjar uma corrente sólida de boa vontade. Meu maior presente de Natal foi ter podido terminar o ano com a consciência tranqüila do dever cumprido, pois sem contar com recursos financeiros, mas mobilizando parcerias com instituições locais e regionais, logramos concluir tudo aquilo que havíamos planejado e que, antecessores, com recursos e tempo não fizeram.  Fizemos um trabalho transparente, e às vezes penso que tudo foi apenas um SONHO - mesmo assim sinto que uma semente de COOPERAÇÃO e de BOA-VONTADE foi semeada – somente no futuro, ao chegar a hora da colheita, é que poderemos ser julgados se os frutos foram bons ou não...

          É TEMPO DE NATAL, e quero aproveitar este TEMPO para, em meu nome e no de toda a minha família, para desejar a todas as famílias campistas e do norte-fluminense, um NATAL, CHEIO DE ALEGRIAS E UM ANO NOVO REPLETO DE SUCESSO, AMOR E MUITA PAZ.

Artigo publicado em dezembro de 2002!



ROTARY - 113 anos ao serviço da humanidade.

   É para mim uma grande satisfação dar os parabéns a todos os membros dos cinco Clubes Rotários localizados no município de Campos dos Goytacazes por ocasião das comemorações dos 113 anos de fundação do Rotary Clube Internacional, que acontece neste dia 23 de fevereiro de 2018.  No Brasil, o primeiro Rotary Club do Brasil: o Rotary Club do Rio de Janeiro foi fundado em 15 de dezembro de 1922 e a partir daí o movimento rotariano continuou crescendo no Brasil e em todo o mundo, embora sejam poucas as pessoas que ainda não conhecem o benemérito trabalho realizado pelos Rotary Clubes. Para mim foi uma honra ter participado, em 1970, junto com o saudoso amigo Andral Tavares e outros companheiros, da fundação do Rotary Clube Campos - São Salvador.

   “Dar de si antes de pensar em si” é o lema da instituição fundada pelo advogado Paul Haris e mais três homens de negócio, em 23 de Fevereiro de 1905, como Rotary Clube de Chicago, hoje Rotary Internacional. Ao Rotary dou efusivos parabéns por seus 113 anos de existência. Os postulados fixados destacam os elevados objetivos da associação, que são a força vencedora e motivadora do “Culto Do Bem Servir”.   Conheço a excelência dos trabalhos que o Rotary vem desenvolvendo pelo mundo e ressalto que Rotary demonstra para toda a sociedade, que todos nós devemos participar na construção de caminhos que levem a um futuro melhor.

   O compromisso assumido pelos Rotários pode simplificar-se em ocupar-se da humanidade, elevando o ser humano pela própria elevação, e está preciso na Prova Quádrupla, criada em 1932 pelo rotariano Herbert Taylor. Ela serve de guia para os rotarianos no que pensam, dizem e fazem: 1) É a VERDADE? 2) É JUSTO para todos os interessados? 3) Criará BOA VONTADE e MELHORES AMIZADES? 4) Será BENÉFICO para todos os interessados?

   Hoje, o Rotary continua se destacando mundialmente e procuram atender às necessidades de uma sociedade em constante mudança, expandindo seus serviços de modo a enfocar tópicos de alta importância, como a degradação do meio ambiente, o analfabetismo, a pobreza e a fome e às crianças em situação de risco, o que esta em direta comunhão com os trabalhos da ONU.  

   O Poder do Rotary radica assim na inspiração e no exemplo que oferece aos seus semelhantes mediante um desempenho que é digno de admiração. Lembro que foi em 1989 que o Rotary Internacional aprovou a admissão de mulheres nos clubes e várias delas já foram excelentes presidentes em clubes daqui de Campos dos Goytacazes, e aproveito a oportunidade para prestar uma homenagem à amiga Lucia da Cunha Rangel, líder rotariana, que ocupou diversos cargos do Rotary Clube Campos - São Salvador e onde foi uma excelente presidente.

   Nesta oportunidade dou os parabéns aos Clubes Rotários daqui de Campos e Região, pois, sem alarde, todos eles pavimentam os caminhos do desenvolvimento.  Todos eles são, em síntese, exatamente a formalização do mais alto nível de solidariedade humana que possa existir onde, entre os valores humanos mais preciosos demonstrados pelos Clubes Rotários, figuram a capacidade de estender a mão, auxiliar o próximo, amparar e ensinar. Paz e Bem!

Alberto R. Fioravanti.
Artigo criado em 23 de fevereiro de 2018.


sábado, 18 de agosto de 2018



16 de novembro de 2012 –  SAUDADES DA MINHA MÃE…

   Como Charles Chaplin dizia, “A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Neste ano de 2012 fazem quatro anos que minha mãe Amélia Rosa Fioravanti partiu. Foi na manhã do domingo 16 de novembro de 2008 que ela foi levada ao céu.

Mas a saudade tem sido um sentimento constante e crescente na minha vida. Mas sempre há períodos em que a gente está mais vulnerável ao sentimento da saudade. E sobre isso sinto que de um tempo para cá, tenho sentido muito mais saudade da minha mãe e de meu pai, do que eu pudesse pensar que sentiria.

   É uma saudade que não sei como explicar com palavras. É sentir falta até das broncas, que quando criança recebia ao fazer alguma arte. Como gostaria de poder estar com minha mãe e meu pai só um pouquinho mais! Felizmente, não sou daquelas pessoas que diz: “Depois que a gente perde é que a gente dá valor!“, pois eu sempre dei muito valor à minha mãe e a meu pai e sabia que um dia nós nos separaríamos e que ela iria me fazer uma falta absurda. Mas quando a separação é concreta, parece que a dor é bem maior do que poderíamos imaginar! Acho que é isso… às vezes eu sinto tanta, tanta saudade que até dói o meu peito! Eu costumava dizer para minha mãe que eu a amava… agora, quando converso com ela nas minhas orações e olho para seu retrato e vejo em seus brilhantes olhos azuis e no seu sorriso a alegria que eles transmitem, em pensamento eu lhe digo que continuo a amando, só que agora o que dói é a saudade…

   De tudo que eu sinto saudade, o que mais me faz falta é tê-la sempre disposta para conversar! Sim, eu sei que tenho muitas pessoas por perto, tenho minha esposa, meus filhos, meus netos e amigos, posso contar com muitos ouvidos… mas ninguém é igual a ela! Sabe aquelas coisas que você já está acostumado a falar com determinada pessoa? Aquelas coisas que você só comenta com a sua mãe? Chegar a casa e contar as coisas e, mesmo que você queira ficar falando durante uma hora, mamãe estava ali escutando e prestando atenção… Contar as novidades e mostrar a ela o rascunho de minhas crônicas era vê-la vibrar com o que escrevi… Essas São pequeninas coisas, sabe… pequeninas mesmo… mas que fazem uma diferença tão grande e que às vezes a gente só percebe quando simplesmente elas não existem mais. É a saudade… que dói e que não tem como remediar. Não é tristeza, é só saudade! Vontade de estar perto, de abraçar, de beijar, de conversar…

      Este texto que escrevo é um desabafo total por estes quatro anos de ausência. Ausência física, ausência da voz e do cheiro, das comidas que preparava, das risadas e do piscar de olhos, saudade da amizade que ficará na lembrança e revivida em algumas fotos. A tristeza, a saudade e a ausência não dá paz, mas o verdadeiro amor de quem se ama, tece aquela mesma sensação dos dias de convivência, que apesar dos anos nunca se desfaz. E a coisa mais divina que há no mundo é poder reviver cada segundo do tempo passado com ela como nunca estivesse partido. Minha mãe, que era minha amiga, minha confidente, sinto que ela está sempre comigo e que tenho um anjo por perto e protegendo-me. Sei que a vou ver novamente e quero pensar que, como eu digo em minhas crônicas, ela está comigo sempre. Não me detenho em sua tumba a chorar, pois sei que ela não está ali, porque sei que hoje ela é a brisa que sopra, nas tardes de verão, é o brilho do diamante na neve branca da chegada do inverno, como víamos no inverno na Itália, é a luz do sol que ilumina meu caminho e é uma das tênues estrelas que brilham e iluminam a noite.

   Sei que quando a suave chuva do outono cai, é ela que esta ali, e quando pela manhã uma brisa de vento fresco roça mina face é ela me acariciando. Quando escuto o canto dos passarinhos perto da minha janela numa manhã de primavera, é ela, falando-me e animando-me. Quando volto para casa ao entardecer e vejo o sol se escondendo no horizonte, sinto que ela está ali, sorrindo-me e desejando-me uma boa noite. Todos os dias, em todos os momentos ela esta sempre comigo. Aos domingos, na missa, ela esta contrita e rezando ao meu lado. É assim que fazem todas as mães que já partiram.

   Saudade é isso que senti (e sinto) enquanto escrevo esta mensagem aos nossos amigos. É impressionante que amigos e amigas de minha mãe, que eram muitos, e muitos dos quais eu não conhecia, ainda vem até a mim falar da saudade que tem de minha mãe e das suas qualidades humanas, o que me emociona muito.

   Com a morte da minha mãe, quanta dor, quantas lembranças estão vivas até hoje! Mas mamãe é alma, é espírito, e vive para sempre. Agora ela mudou de moradia e sei que ela não gostaria de me ver fraco e descrente. Mas, mesmo assim, a minha fé acaba sendo provada, e por isso eu recorro a Ti Jesus. Passa-me um bálsamo sobre as saudades e as recordações tristes. Eleva a minha mãe, abençoa-a, guarda-a e resguarda-a. A certeza que tenho de que cuidas dela me enche de esperança e de tranquilidade.

   Agradeço-te meu Jesus por ver minha mãe cercada de luz e paz junto a ti e sei que ela também ora e intercede por nós junto a Ti. Até lá chegam os meus pensamentos e as minhas orações. Obrigado Senhor, muito obrigado. Que tua benção cubra sempre de luz a alma de minha mãe para que, inundada de Ti, ela seja sempre mais presença do divino em nossas vidas. Amém!

Alberto R. Fioravanti – 16 de novembro de 2012.




terça-feira, 14 de agosto de 2018


O VALOR DA ÁGUA BENTA

   Talvez alguns católicos ainda desconheçam o significado e o valor da água benta... Isso é uma pena! Talvez por isso, muitos não se beneficiem desse precioso instrumento instituído pela Igreja para ajudar-nos em praticamente todas as circunstâncias e dificuldades da vida!

   Muitas pessoas, ao entrar numa igreja, molham a ponta do dedo na pia de água benta e fazem o sinal da cruz de um modo automático e quase sem pensar. A água benta é um sacramental instituído pela Igreja Católica e há várias formas de usá-la. A mais comum é persignar-se com ela. Outra é aspergi-la sobre si mesmo, sobre outras pessoas, lugares ou objetos. Qualquer leigo pode fazer isto. Naturalmente que quando é feito por um sacerdote tem mais peso.

   O sacerdote benze a água, na sua condição de ministro de Deus, em nome da Igreja e na qualidade de representante dela. Sacramental significa "algo semelhante a um sacramento", mas há uma grande diferença entre um e outro. Os sacramentos foram instituídos por Nosso Senhor Jesus Cristo, e são apenas sete (batismo, crisma, eucaristia, confissão, unção dos enfermos, ordem e matrimônio). Já os sacramentais são instituídos pela Igreja, que pode aumentar o seu número, se julgar conveniente para o bem das almas.

   Quando estudei o catecismo, aprendi que os sacramentos têm o poder de produzir a graça santificante pelo próprio fato de serem administrados validamente. Os sacramentais conferem apenas uma graça auxiliar, pelo poder das preces da Igreja e dependem das boas disposições de quem os recebe. Um efeito muito importante dos sacramentais é o de preparar a alma para receber a graça divina e ajudá-la a cooperar com ela. Quando usamos com devoção um sacramental nos colocamos sob proteção da Igreja. Entretanto, devemos ter uma disposição interior de amor e confiança na Divina Providência para que o sacramental seja eficaz.

  Creio que já devem ter notado que nas missas solenes, o padre também asperge e abençoa o povo com a água benta, mas muitas pessoas ainda não sabem o valor e o significado desse sacramental. A função purificadora da água benta é marcante, na Bíblia ela aparece em vários acontecimentos, na vida das pessoas. E até como poder de Deus na cura de várias enfermidades (Jo 9,7). A água lembra o próprio Cristo, que é a água viva (Jo 4,10), e mesmo o Espírito Santo que nos purifica os lábios, a mente e o coração.

   Usa-se da água ainda hoje na liturgia da Igreja Católica, de modo especial na Celebração do Batismo, como sinal do novo nascimento. Muitas vezes nas bênçãos, em geral, no sinal da cruz ou sinal do cristão à entrada das igrejas, etc. A água é antes de tudo fonte e poder de vida: sem ela a terra não é mais que um deserto árido, cenário da fome e da sede, e os homens e os animais estariam condenados à morte. Contudo, há também águas da morte: a chuva e a inundação devastadora que transtorna a terra e traga os seres vivos, como tem ocorrido no nosso Estado.

   A água, enfim, nas abluções cultuais, uma praxe da vida doméstica, purifica as pessoas e as coisas da sujidade contraídas no curso dos contatos cotidianos. "O Senhor disse a Moisés o seguinte; toma os levitas do meio dos israelitas e purifica-os. Eis como farás para purificá-los: asperge-os com a água da expiação e eles passem uma navalha sobre todo o corpo, lavem as suas vestes e purifiquem-se a si mesmos" (Nm 8,5-7). "Derramarei sobre vós águas puras, que vos purificarão de todas as vossas imundícies e de todas as vossas abominações" (Ez 36,25). Na Igreja existe um ritual próprio para abençoar a água, normalmente usado em latim (hoje em dia, usa-se uma simples bênção).

   Sempre considerei conveniente ter água benta em casa para usá-la em qualquer circunstância. Por exemplo, benzer-se ao sair de casa, ao entrar na igreja, em casa ou mesmo no local de trabalho; ao iniciar uma oração, um serviço, uma viagem, etc. E como sempre, penso que a água benta merece ser tratada com respeito e que não é algo para se brincar ou para lavar o chão. Mas hoje a mídia mostra que a água benta esta servindo de instrumento de brincadeira, pelo menos para o padre Marcelo Rossi, que com uma expressão “irônica”, se diverte jogando baldes de água benta sobre a “platéia” que assiste suas missas, e isso sob os olhares “condescendentes” de seu bispo. Jamais pensei que a água benta, um dia, iria fazer parte de um show de um padre!

Alberto R. Fioravanti
Escrito em 20 de abril de 2012.