segunda-feira, 22 de outubro de 2018

Corrupção: a paciência nacional está acabando

Alberto Fioravanti – Membro da Academia Campista de Letras (ACL)
Ninguém, exceto os delinquentes, se opõe à luta contra a corrupção, a impunidade e a cooptação do Estado, e no nosso caso a luta tem sido grande e já vemos alguns esultados com a operação Lava-Jato. Um estado infestado de corrupção está condenado a fracassar e é com tristeza que vejo o que acontece no Brasil, com políticos processados e alguns já condenados e presos. Apesar do que isso implica para alguns, sinto que estamos vendo um estado em falência, e cito um forte argumento: “97% dos crimes, de um roubo simples a um assassinato qualificado, permanecem em impunidade”. Isso mostra que, em nosso país, o sistema de justiça não é mais do que uma jogada bruta de terceira categoria.
Mas alguém precisa de mais argumentos? Eu ofereço mais três: o total de pessoas que vivem na mais triste extrema pobreza passou de 10 milhões em 2012, para 10.5 milhões no ano passado, e o encolhimento da economia no período 2015/2016 fez o contingente de brasileiros pobres aumentar para 22 milhões, segundo a Fundação Getúlio Vargas. Reconheço que esses dados podem não ser precisos, mas são baseados em estudos sérios, mas em qualquer caso, pelo que vemos pelas ruas das nossas cidades, ninguém pode negar que no nosso país transborda pobreza, doença e desigualdade social.
Assim, enquanto o Brasil não se transformar, continuaremos a ser um país fracassado para os próprios brasileiros, e continuaremos sendo, nas agendas internacionais, como um país de grande riqueza, mas problemático. Continuaremos a expor-nos como um país desejável para o tráfico ilegal, para a destruição de recursos naturais ou para o tráfico de drogas. Para a dignidade, todos os brasileiros devem rejeitar esta situação. Nossos avós, pais, filhos e netos não merecem serem qualificados como tal. Não é aceitável que uma máfia meticulosamente articulada tenha nos levado a esse extremo. O objetivo deveria ser capturar pessoas corruptas para dar lugar a funcionários capazes e honestos, mas isso não está acontecendo e nossa gente já a conhece.
No contexto da luta contra a corrupção e a cooptação do Estado, devemos nos tornar intensamente ativos. Muitas capturas já ocorreram, muitos processos criminais, mas poucas convicções. E mais do que isso, no que diz respeito aos processos de extinção de domínio e redirecionamento dos recursos apreendidos, somos ainda pior. Pode não ser a solução, mas gostaríamos que todos os brasileiros vissem novas estradas, hospitais e escolas construídas com esses fundos e funcionando. Mas nada disso acontece. E, no contexto de toda essa atividade, devemos nos perguntar: qual é o objetivo mais importante da luta contra a corrupção? Eu respondo: eliminar as máfias parasitas embutidas nas estruturas do Estado para dar lugar a novas autoridades, experientes, treinadas, honestas e responsáveis. E no último ponto estamos piorando. Pelo que tristemente se vê, nós deixamos um governo corrupto para prosseguir com outro muito parecido.
E se seguimos essa rota por inércia, passaremos toda a nossa vida a julgar corruptos à medida que o país afunda em uma lama cada vez mais implacável. Algo que estamos fazendo de errado e somos forçados a assistir aos rituais processuais e as “camisolas” de força impostas por uma constitucionalidade cúmplice que impõe prazos eleitorais, que acabam por ser um cheque em branco e a principal segurança para as máfias, de modo que, no final, tudo permanece o mesmo. Paz e Bem!

segunda-feira, 15 de outubro de 2018

São Benedito, um santo muito festejado

                                                            Alberto Fioravanti – Membro da Academia Campista de Letras (ACL)
     São Benedito é o primeiro negro canonizado na Igreja e seu exemplo de vida merece ser seguido e ele é festejado solenemente em todo o Brasil nas mais variadas datas, segundo as tradições locais, mas em Campos dos Goytacazes, onde tudo acaba, até um rescrito papal, do Papa Leão XIII, que autoriza a Irmandade e a Paróquia de São Benedito a celebrar seu santo padroeiro no segundo domingo da Páscoa é respeitado. Lembro que o dia 5 de outubro foi estabelecido pela CNBB como memória facultativa, mas não como dia de São Benedito.
São Benedito descendia de escravos oriundos da Etiópia, na África. Foi pastor de ovelhas e lavrador. Aos 18 anos de idade, empolgado com a fé cristã, consagrou-se a Deus. Aos 21 ingressou na ordem dos franciscanos. Fez votos de pobreza, obediência e castidade. Uma característica interessante de São Benedito é que ele era analfabeto e no convento, ele foi designado cozinheiro, uma função comum nos conventos, porém, de grande responsabilidade. Era um cargo de extrema confiança. São Benedito caminhava descalço pelas ruas e dormia no chão sem cobertas. Por causa de sua fama de santidade, era muito procurado pelo povo, que desejava ouvir seus conselhos e pedir-lhe orações. Ele retirava mantimentos do Convento, escondia-os em suas roupas e os levava para atender aos famintos da cidade.
    Seu nome era Benedito Manasseri e nasceu na pequena localidade de São Filadelfio, na província de Messina, em um dia não especificado de 1524. Ele era filho dos escravos Cristóvão e Diana, originários da Etiópia, e por decisão de Manasseri, dono dos escravos, ele nasceu livre e também seu irmão chamado Marco e duas irmãs, Baldassara e Fradella, todos menores do que ele. Desde pequeno ele demonstrava vontade pela solidão e autopenitencia que o fez ganhar o apelido de santo, apesar de ser maltratado pelos seus coetâneos. Aos dezoito anos, ele deixou a casa dos pais e trabalhando por conta própria começou a ajudar os pobres. Com a idade de vinte e um anos, ele foi para o eremitério de Santa Domenica. Com a morte do fundador da ermida de Santa Domenica, Girolamo Lanza, foi eleito superior pelos confrades, apesar do analfabetismo. Em 1562, o papa Pio IV cancelou a comunidade e os confrades tiveram que procurar hospitalidade em outros conventos. Benedito escolheu a ordem dos reformados Frades Menores, e foi primeiro enviado ao convento de Santa Anna de Giuliana, onde permaneceu quatro anos, depois ao convento de Santa Maria de Jesus em Palermo, onde permaneceu até sua morte.
    Inicialmente, Benedito trabalhou como chefe de cozinha, depois se tornou superior do convento em 1578, depois trabalhou com os novatos e, finalmente, passou a cozinhar. De acordo com a tradição, ele realizou muitos milagres; Ele tinha fama de santidade até mesmo durante sua vida, de modo que muitos eclesiásticos, teólogos e até mesmo o vice-rei confiaram em seus conselhos antes de tomar decisões importantes. Em fevereiro de 1589, Benedito foi acometido por uma doença grave e morreu no dia 4 de abril, no mosteiro de Santa Maria de Jesus, com fama de santidade. Foi beatificado em 1763 e canonizado em 1807. No Brasil a devoção a São Benedito chegou em 1686, antes mesmo da sua beatificação e canonização, cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele. Paz e Bem!

segunda-feira, 8 de outubro de 2018


O Nosso Anjo da Guarda!

2 de outubro de 2015.

  Hoje é o dia dedicado aos Santos Anjos da Guarda. Quando eu era pequeno, uma das primeiras orações que minha mãe me ensinou e que ainda hoje eu rezo todos os dias foi: “Santo Anjo do Senhor, meu zeloso guardador, já que a ti me confiou à piedade divina, sempre me rege, guarda, governa e ilumina. Amém.” Eu sei que, como a Igreja Católica nos ensina, a existência de seres espirituais, não corporais, habitualmente chamados de anjos, é uma verdade de fé.



   Anjos da guarda, ou anjos guardiães, são os anjos que Deus envia no nosso nascimento para nos proteger durante toda a nossa vida. A Bíblia sustenta em muitas ocasiões a crença no anjo da guarda: "Vou enviar um anjo adiante de ti para te proteger no caminho e para te conduzir ao lugar que te preparei". (Êxodo 23, 20). Eu acredito que todos nos temos um anjo amigo e companheiro de verdade. Muita gente não se dá conta da presença desse anjo amigo, mas eu sinto sua presença ao meu lado, principalmente quando escrevo ou quando me concentro.

   Entendo que a missão do Anjo da Guarda é grande e que ele nos protege e nos livra das situações de perigo. Pelo que me tem ocorrido ultimamente, sinto que quanto mais intimidade tivermos com nosso anjo da guarda e mais próximos dele estivermos, mais sensíveis estaremos ao que ele nos transmite. Não pensava assim, mas hoje sei que podemos manter um dialogo construtivo com nosso anjo da guarda, e mesmo sem saber seu nome, podemos pedir sua ajuda nas coisas do nosso dia a dia, pois se elas não forem prejudiciais ao nosso bem, ele certamente vai nos ajudar. É interessante sentir sua ajuda num trabalho ou estudo que vamos executar.

   Dentre os anjos, acredito que Deus escolhe o nosso Anjo da Guarda, que é pessoal e exclusivo, e cuja função é nos proteger até o retorno da nossa alma à eternidade. Assim os Anjos da Guarda estão repletos de dons e privilégios especiais, com uma missão insubstituível. Eles possuem a natureza angélica e espiritual, que é a síntese de toda beleza e de todas as virtudes, por isso ela é impossível de ser representada. Antes de tudo, os nossos anjos são nossos amigos. Não existem segredos entre nós. 

    A história nos mostra que a devoção aos anjos é mais antiga até que a dos próprios santos, ganhando maior vigor na Idade Média, quando os monges solitários receberam a companhia dessas invisíveis criaturas, cuja presença era sentida nas suas vidas de silenciosa contemplação e íntima comunhão espiritual com Deus-Pai. Todavia o nosso Anjo da Guarda, que era tão solicitado e cuidado durante a nossa infância, fica esquecido no nosso cotidiano de adulto, já que descuidamos de sua exclusiva companhia e não percebemos sua angelical presença. Mas eu creio que o nosso Anjo da Guarda ainda continua vigilante do nosso caminhar e de nossas ações e inspirando nossos pensamentos.

   Passei muito tempo sem me comunicar com meu anjo. Nunca o vi, mas sinto que ele sempre esteve presente e atento comigo. Até me fez saber que seu nome é Elesucas. Muitos não acreditam nos anjos, mas é aos anjos da guarda que nos rodeiam e nos querem bem, que dedico esta crônica em agradecimento pela constante inspiração e proteção. Paz e Bem!

Alberto R. Fioravanti.

quinta-feira, 4 de outubro de 2018


E QUEM É O BEM-AVENTURADO
DOM TIAGO ALBERIONE



       Na noite da passagem do século XIX para o século XX, de 31 de dezembro de 1900 para o dia 1o de janeiro de 1901, um jovem seminarista permanece quatro horas em oração na Catedral de Alba (Itália). Uma luz vem do Tabernáculo e o envolve. - "Fazer alguma coisa por Deus e pelas pessoas do novo século, com as quais conviveria!" E esse seminarista sente fortemente o convite e o apelo de Deus.

      Nessa época o mundo passava por profundas transformações, mudanças sociais e tecnológicas, e era necessário utilizar as novas descobertas e as novas forças do progresso para fazer o bem, e para evangelizar.

Esse jovem seminarista, com apenas dezesseis anos, era Tiago Alberione, o futuro fundador da Família Paulina, que nunca deixou que essa chama luminosa se apagasse em sua vida.

Tiago Alberione (em italiano, Giacomo Alberione) nasceu em 4 de abril de 1884, na cidade de São Lourenço de Fossano, no norte da Itália, e era filho de uma família de camponeses simples e laboriosos. Vinte quatro horas após o seu nascimento, ele foi batizado e recebeu o nome de "Tiago".

Buscando melhores terras para a lavoura, a família Alberione mudou-se para a cidade de Cherasco, onde Tiago passou toda a sua infância e adolescência. Foi lá que se manifestou a sua vocação para o sacerdócio.

- “Quero ser padre!” foi a resposta que ele deu à professora, Rosina Cardona, que perguntava aos seus oitenta alunos o que eles queriam ser quando crescessem.

           A resposta, que poderia parecer impensada, veio de um menino de bom coração e piedoso. Com o passar do tempo, a vocação fortificou-se e ele foi encaminhado para o seminário, onde não perdia tempo e procurava aprender de todos e de tudo. Inquietavam Alberione as transformações que aconteciam na sociedade e os apelos do papa, Leão XIII, para que todos se voltassem para Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, salvação da humanidade.

Foi ordenado sacerdote no dia 29 de junho de 1907, com vinte e três anos de idade. Todas as organizações de renovação existentes, então, na Igreja foram acolhidas por padre Alberione, que participou, ativamente, dos movimentos: missionário, litúrgico, pastoral, social, bíblico, teológico e, mais tarde, do movimento ecumênico. Em todos os movimentos Alberione-profeta vislumbrava espaços carentes de evangelização e atualização.

            Impulsionado pelo Espírito Santo, tornou realidade sua intuição carismática com a fundação de várias congregações e institutos para, juntos, anunciar Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, com os meios da comunicação social. Padres e irmãos Paulinos em 1914; Irmãs Paulinas em 1915; Discípulas do Divino Mestre em 1924; Irmãs Pastorinhas em 1938; e Irmãs Apostolinas em 1957. Fundou, também, os institutos seculares de Nossa Senhora da Anunciação e São Gabriel Arcanjo em 1958; os institutos Jesus Sacerdote e Sagrada Família em 1959; além da Associação dos Cooperadores Leigos em 1917. Hoje, os membros dessas fundações estão presentes em todos os continentes mostrando que é possível santificar-se e comunicar, a todas as pessoas, Jesus Cristo com os meios técnicos e eletrônicos.

            Após a fundação dos dois primeiros ramos - Paulinos e Paulinas - a vida de Alberione fundiu-se com suas obras nascentes. Acompanhava de perto a vida de seus filhos e filhas da Itália e do exterior com numerosas e prolongadas viagens. Preocupava-se não só com fundações e organizações, mas principalmente com a formação e a vida religiosa de seus seguidores, apesar do conturbado contexto histórico em que viveu: duas grandes guerras, revolução industrial, conflagrações nacionalistas e sociais, emancipação dos operários e da mulher, além de crises institucionais na família e na Igreja.

Padre Tiago Alberione, jamais esmoreceu, continuou firme na sua fé, acreditando que a obra que realizava era querida e abençoada por Deus. Com humildade e coragem, o fundador da Família Paulina, o profeta e o apóstolo de uma evangelização moderna, chegou ao fim de seus dias em 26 de novembro de 1971, aos oitenta e sete anos.

O reconhecimento da santidade de Alberione já acontecera antes da declaração oficial da Igreja, especialmente com algumas declarações de dois papas seus amigos: o bem-aventurado João XXIII e Paulo VI. "Padre Alberione, veio ao meu encontro" - dizia o "papa bom". "Parecia-me ver a humildade personificada. Ele, sim, é um grande homem!" E Paulo VI, na audiência concedida aos Paulinos em 27 de novembro de 1974, recordava: "Lembro-me do encontro edificante com padre Alberione, ajoelhado, em profunda humildade. Este é um homem, direi, que está entre as maravilhas do nosso século".

O processo de beatificação percorreu um longo caminho. Após a morte de Alberione, foram apresentados à Igreja documentos sobre sua vida, sua missão apostólica e suas fundações, assim como documentos sobre sua santidade.

Baseados em um meticuloso exame desses elementos e reconhecidas as virtudes praticadas em grau heróico pelo servo de Deus, padre Tiago Alberione, o papa João Paulo II, em 25 de junho de 1996, declarou-o "venerável".

Passaram-se sete anos à espera de um milagre que fosse reconhecido como autêntico pela Igreja. E o milagre chegou.

A cura milagrosa atribuída ao padre Tiago Alberione, que o conduziu à beatificação, salvou Maria Librada Gonzáles Rodriguez, uma mexicana de Guadalajara. Em 1989, ela foi internada por causa de uma insuficiência respiratória provocada por uma trombo embolia pulmonar, com muitas crises. Pedindo a Deus a cura por intercessão de padre Alberione, doze dias depois teve alta. A cura foi reconhecida pela Congregação das Causas dos Santos, após a declaração da comissão médica que considerava a recuperação de Maria rápida, completa, duradoura e não explicável à luz da ciência.

E o dia da beatificação chegou: 27 de abril de 2003. Padre Tiago Alberione é proclamado "bem-aventurado" num reconhecimento oficial da Igreja àquele homem que foi um santo, um profeta e o pioneiro na evangelização eletrônica.


4 de outubro de 2018.
Alberto R. Fioravanti.

ALGUNS SEGUNDOS NO CÉU!


    Em 2003, com 61 anos de idade, eu tive uma experiência estranha, interessante e muito sui-generis e que me acercou a Dom Tiago Alberione. Com Anair, no mês de março, nós regressavamos ao Brasil num voo sem escalas de Miami ao Rio de Janeiro, da American Airlines, e em um determinado momento, quando o avião já sobrevoa o território do Brasil, eu me sentia estranho, com uma dor no peito e os braços dormentes. Já tendo sofrido um infarto, procurei o comissário de bordo para pedir algum remédio para o coração, mas fui informado que só um médico poderia ter acesso à caixa de remédios de bordo. Então pedi que solicitasse ao comandante do avião que verificasse se, entre os passageiros, haveria algum médico. Para minha sorte havia uma cardiologista que regressava ao Brasil (podem imaginar a sorte de ter uma cardiologista a bordo). Ela regressava ao Brasil depois de ter acompanhado um paciente aos Estados Unidos. 


   Fui examinado pela médica (lamentavelmente não lhe perguntei seu nome) e tomei os remédios apropriados que ela levava em sua bolsa. A minha pressão sanguínea estava bem elevada e me levaram para primeira classe e me colocaram deitado. Passado alguns minutos a médica me perguntou como me sentia, mas a dor não tinha melhorado. Em vista disso ela informou ao capitão que eu não chegaria vivo no Rio de Janeiro para ser atendido, e, portanto recomendou que o avião fizesse um pouso de emergência em Brasília, que estava próximo.

   O café da manhã já estava sendo servido, e escutei o comandante informando que iriam parar o serviço para fazer um pouso de emergência em Brasília para deixar um passageiro que se sentia mal (esse passageiro era eu).

   Lembro-me bem desses momentos de angústia. Desci do avião numa maca, indo direto para uma ambulância que me esperava ao pé da escada do avião e fui levado às pressas para um hospital local (onde de ingresso e fui levado direto para a sala de cirurgia onde fui submetido a uma angioplastia). Essa seria a segunda angioplastia que eu fazia. Durante o processo foi acordado o tempo todo (pelo menos eu pensava assim) e eu podia ver os monitores sobre minha cabeça que mostravam o que estava sendo feito dentro de minhas artérias para desbloqueá-los. Meus olhos estavam fixos na tela do monitor e a certa altura eu me lembro de ter ouvido um grito. 

   Depois que o procedimento foi concluído foi levado para a unidade de terapia intensiva e lá permaneceu por dois dias, e de vez em quando ia me lembrando de ter estado num lugar com uma forte neblina, onde eu me sentia maravilhosamente bem. Era uma grande felicidade que me é difícil colocá-la em palavras - e eu estava em um lugar de nevoeiro, cinzento e nublado. 

   Num certo momento eu comecei a ver, através da névoa, rostos de pessoas não conhecidas e que estavam em torno de mim, a uns 6 metros de distância – e a felicidade que eu estava sentindo se transformou em preocupação, uma vez que percebi que me olhavam com uma cara séria e sombria – em minha mente veio uma pergunta: "Por que são eles olhando para mim assim, pois não fiz nada de errado?". Enquanto eu estava pensando que, eu vi um homem, vestido com uma túnica branca, ele foi menor do que eu, mais ou menos careca, com uma cara séria e sombria, próximos caminhando em direção a mim (eu não podia ver o chão ou se estava de pé sobre um terreno). Eu podia ver a cara do que o homem muito Fechar. E quando ele estava na frente de mim ele me deu um soco com ambas as mãos e gritei: "Aiiiiii", como o que eu me lembro de ter ouvido enquanto olha para o monitor, na sala de cirurgia. Quando eu deixei a unidade de cuidados intensivos, mencionei ao médico o que eu escrevi acima e ela me disse que para ela era uma experiência extracorpórea que eu tinha, e ela me disse que meu coração parou de bater por 36 segundos (não tão longos como no seu caso), e eu tive de ser revivido com choque elétrico. 

   Eu sou católico e sigo o ensinamento da Igreja, e eu nunca pensei que eu iria passar por essa experiência. Com esta experiência, que comecei a tentar lembrar as características da pessoa que me deu o soco – desde que ele era careca e meu pai também era careca, eu tentei melhorar o foco em seu rosto para ver se ele era meu pai. Mas eu não lograva ver o rosto do meu pai.

   Em outubro de 2003, eu fui a Roma para visitar amigos (eu morava em Roma há 18 anos ao trabalhar para as Nações Unidas). Eu e Anair fomos convidados para jantas pela Irmã Mercedes Mastrosteffano, da Ordem Paulina. Lá ela nos levou para visitar a Basílica Regina Apostolorum e o Museu do fundador da Ordem dos Paulinos, Dom Tiago (Giacomo em italiano) Alberione, que tinha sido Beatificado em abril de 2003. O museu do fundador consistia do seu escritório, seu quarto de dormir e uma sala com lembranças que recebeu durante suas viagens, que estavam dentro de vitrines de vidro protegido.

   Curioso que sou, para ver os diplomas e medalhas me antecipei para ver a sala com as recordações. Nas ultimas vitrines, antes da porta de saída para o corredor havia manequins de alfaiate, dois numa vitrine e um na ultima. Esses manequins são aqueles sem cabeça, e neles estavam as batinas que Dom Alberione usava. Ao chegar á ultima vitrine onde estava o manequim com a batina branca, ao olhar para ela, eu vi Dom Alberione sorrindo e acenando para mim. Então, nesse momento eu reconheci que ele era a pessoa que me deu o empurrão que me enviou de voltar a esse mundo. Nesse instante eu comecei a chorar copiosamente e lágrimas abundantemente saiam dos meus olhos. Minha esposa com a Irmã, que vinha atrás pensou que eu não estava me sentindo bem, e eu lhe expliquei o que havia visto. 

   Saindo da área de museus, havia uma mesa com lembranças de sua beatificação, que eu apanhei para trazer. Inclusive um santinho com a sua foto e quando eu estava olhando para ela, ouvi uma voz perto do meu ouvido dizendo em italiano: "Nós conseguimos, Eh!" Ainda tenho essa experiência gravada em minha mente como se tivesse acontecido hoje.

   Com efeito, lembro-me bem como eu me sentia tão bem e feliz naquele lugar que não sei onde era – tive um pouco de angustia ao ver, entre a neblina, pessoas me olhando com caras preocupadas e ao receber o empurrão de volta á terra. E foram apenas 36 segundos do nosso tempo e não do tempo de Deus, que durou a parada cardíaca.

   Minha experiência foi em um lugar cinzento e nublado e me senti maravilhoso, e posso imaginar como deve ser maravilhoso estar num lugar de luz brilhante, no céu.

Escrito por
Alberto Rosa Fioravanti


quarta-feira, 3 de outubro de 2018



PORQUE A IGREJA SE OMITE? OMISSÃO NÃO É PECADO?


   Parece que o mundo não se escandaliza mais com as variantes sexuais que se vê na mídia. O sexo oral já foi tema explosivo quando a mídia xeretou as intimidades do presidente Bill Clinton, dos EUA; jornais e revistas já exploraram até cenas de uma famosa cantora-freira, que por ser lésbica renunciou à sua ordem e até se suicidou com a amante (Jeanine Deckers que ficou famosa nos anos 1960 cantando " Dominique, nique-nique") ; e os horários nobres da TV, hoje tratam de temas que o “Kama Sutra” proclama, apesar da cínica aclamação popular.

   O sexo já é “quase” explícito até em programas que a TV mostra à nossa infância, e assim a pedofilia se alastra vergonhosamente pelo país, apesar de ações do Ministério Público. Será que isso bom para as crianças?  Tudo isso me escandaliza e mais ainda o “silêncio” das autoridades políticas, judiciais e religiosas. Mas porque esse silêncio? Junto isso à tristeza que me causa o silencio de bispos, arcebispos e cardeais, ante os padres-galãs, Por que será que eles apoiam o endeusamento que a mídia faz de certos sacerdotes? Será que os invejam ou é pelo “dinheiro” que rende esses padres-galãs? Como “ovelha” do rebanho, eu me escandalizo, mas acho que para muitos isso é irrelevante. Creio muito no que Jesus disse: “Eu sou o bom pastor; o bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas” (Jo. 10). Mas a impressão que fica é que, apesar de ter santos, a igreja ainda tem mercenários. Que tristeza!

   Em inícios de 2009 eu estava nos Estados Unidos e a mídia soou gritos de escândalo e de curiosidade, quase de adolescente, diante do sensual flerte de um casal numa praia, mas isso porque ele era um gentil, bonitão e popular sacerdote da televisão, da rádio e da imprensa. Escândalo sincero? Curiosidade? Hipocrisia? Mas se seus superiores não foram omissos, em que tinham interesse? Nunca pensei ver algo assim.

   Será que se sabe por que Cristo veio ao mundo? Será que as palavras que Ele disse no seu ministério, ainda exercem influencia na igreja católica? Ou será que para competir com o crescimento das igrejas evangélicas no “arrebanho” de fiéis, o uso de qualquer arma é válido? O triste é que tudo isso acontece com o aparente aval dos superiores, com desprezo pela pobreza do povo, e no caso aqui no Brasil, fico perplexo ao ver o endeusamento de um padre, sacerdote católico, artista, escritor, professor universitário, galã e bonitão, se torne no padre-galã-sensual mais bem vestido. Parece piada, mas esse padre “sexy”, amado por mulheres e homens, ganhou até batinas fabricadas por uma famosa grife italiana e confeccionadas com os materiais mais nobres – e a grife diz que estará vestindo os “homens de Deus” com luxo – e vivemos numa nação onde há muitos pobres! Pobre Jesus Cristo, que não tinha luxo e mandava seus discípulos a compartir seus pertences - seria isso coisa ultrapassada? Ou será que Jesus não sabia o que dizia? E a igreja fica calada ante os trejeitos desse padre “galã”. Por quê?

   Na busca por fiéis pareceria que a igreja estivesse a cata que fãs que se apaixonem pelo sensualismo de um padre com corpo modelado por roupas apertadas. Seria essa a nova forma de evangelização? Para mim, isso é vergonhoso e denota um permissivismo que contribui para a desmoralização da Igreja. Então, que dizer do sacerdote apaixonado em Miami, ou do padre-galã, bonitão, bem vestido e sensual, e brasileiro; e das mulheres seduzidas e engravidadas pelo presidente do Paraguai, quando ele ainda era bispo? Ante esses escândalos, que faria Jesus? Ficaria calado? Ou repetiria a cena dos vendilhões do templo?

   Sem mencionar o nome do presidente paraguaio, a Igreja Católica pediu perdão pelos seus escândalos, dizendo que todos estão sujeitos a errar e que cabe a cada uma se arrepender ou não de seus pecados. Isso é certo! E ante a divulgação de que o ex-bispo é pai de três crianças, os bispos brasileiros disseram que isso não desacredita a Igreja Católica, e indicaram que: "As pessoas que construíram a igreja são falíveis. A igreja sempre pregou acolher o pecador, embora não admita o pecado. É claro que um bispo não é só uma pessoa que prega a verdade, mas que precisa viver a verdade. Isso não quer dizer que a igreja vai ficar desacreditada com as fraquezas de seus membros". Seriam os perfumes, as batinas e roupas luxuosas para o padre-galã, confeccionadas dentro de moda, partes de alguma estratégia da Igreja para agradar às jovens que não se interessam pela fé, e assim evitar que a Igreja perca fiéis ante a ascensão das Igrejas Evangélicas e do Ateísmo?

    Espero que Jesus Cristo ilumine os seus sacerdotes. Paz e Bem!
Alberto R. Fioravanti.