sábado, 18 de agosto de 2018



16 de novembro de 2012 –  SAUDADES DA MINHA MÃE…

   Como Charles Chaplin dizia, “A vida me ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Neste ano de 2012 fazem quatro anos que minha mãe Amélia Rosa Fioravanti partiu. Foi na manhã do domingo 16 de novembro de 2008 que ela foi levada ao céu.

Mas a saudade tem sido um sentimento constante e crescente na minha vida. Mas sempre há períodos em que a gente está mais vulnerável ao sentimento da saudade. E sobre isso sinto que de um tempo para cá, tenho sentido muito mais saudade da minha mãe e de meu pai, do que eu pudesse pensar que sentiria.

   É uma saudade que não sei como explicar com palavras. É sentir falta até das broncas, que quando criança recebia ao fazer alguma arte. Como gostaria de poder estar com minha mãe e meu pai só um pouquinho mais! Felizmente, não sou daquelas pessoas que diz: “Depois que a gente perde é que a gente dá valor!“, pois eu sempre dei muito valor à minha mãe e a meu pai e sabia que um dia nós nos separaríamos e que ela iria me fazer uma falta absurda. Mas quando a separação é concreta, parece que a dor é bem maior do que poderíamos imaginar! Acho que é isso… às vezes eu sinto tanta, tanta saudade que até dói o meu peito! Eu costumava dizer para minha mãe que eu a amava… agora, quando converso com ela nas minhas orações e olho para seu retrato e vejo em seus brilhantes olhos azuis e no seu sorriso a alegria que eles transmitem, em pensamento eu lhe digo que continuo a amando, só que agora o que dói é a saudade…

   De tudo que eu sinto saudade, o que mais me faz falta é tê-la sempre disposta para conversar! Sim, eu sei que tenho muitas pessoas por perto, tenho minha esposa, meus filhos, meus netos e amigos, posso contar com muitos ouvidos… mas ninguém é igual a ela! Sabe aquelas coisas que você já está acostumado a falar com determinada pessoa? Aquelas coisas que você só comenta com a sua mãe? Chegar a casa e contar as coisas e, mesmo que você queira ficar falando durante uma hora, mamãe estava ali escutando e prestando atenção… Contar as novidades e mostrar a ela o rascunho de minhas crônicas era vê-la vibrar com o que escrevi… Essas São pequeninas coisas, sabe… pequeninas mesmo… mas que fazem uma diferença tão grande e que às vezes a gente só percebe quando simplesmente elas não existem mais. É a saudade… que dói e que não tem como remediar. Não é tristeza, é só saudade! Vontade de estar perto, de abraçar, de beijar, de conversar…

      Este texto que escrevo é um desabafo total por estes quatro anos de ausência. Ausência física, ausência da voz e do cheiro, das comidas que preparava, das risadas e do piscar de olhos, saudade da amizade que ficará na lembrança e revivida em algumas fotos. A tristeza, a saudade e a ausência não dá paz, mas o verdadeiro amor de quem se ama, tece aquela mesma sensação dos dias de convivência, que apesar dos anos nunca se desfaz. E a coisa mais divina que há no mundo é poder reviver cada segundo do tempo passado com ela como nunca estivesse partido. Minha mãe, que era minha amiga, minha confidente, sinto que ela está sempre comigo e que tenho um anjo por perto e protegendo-me. Sei que a vou ver novamente e quero pensar que, como eu digo em minhas crônicas, ela está comigo sempre. Não me detenho em sua tumba a chorar, pois sei que ela não está ali, porque sei que hoje ela é a brisa que sopra, nas tardes de verão, é o brilho do diamante na neve branca da chegada do inverno, como víamos no inverno na Itália, é a luz do sol que ilumina meu caminho e é uma das tênues estrelas que brilham e iluminam a noite.

   Sei que quando a suave chuva do outono cai, é ela que esta ali, e quando pela manhã uma brisa de vento fresco roça mina face é ela me acariciando. Quando escuto o canto dos passarinhos perto da minha janela numa manhã de primavera, é ela, falando-me e animando-me. Quando volto para casa ao entardecer e vejo o sol se escondendo no horizonte, sinto que ela está ali, sorrindo-me e desejando-me uma boa noite. Todos os dias, em todos os momentos ela esta sempre comigo. Aos domingos, na missa, ela esta contrita e rezando ao meu lado. É assim que fazem todas as mães que já partiram.

   Saudade é isso que senti (e sinto) enquanto escrevo esta mensagem aos nossos amigos. É impressionante que amigos e amigas de minha mãe, que eram muitos, e muitos dos quais eu não conhecia, ainda vem até a mim falar da saudade que tem de minha mãe e das suas qualidades humanas, o que me emociona muito.

   Com a morte da minha mãe, quanta dor, quantas lembranças estão vivas até hoje! Mas mamãe é alma, é espírito, e vive para sempre. Agora ela mudou de moradia e sei que ela não gostaria de me ver fraco e descrente. Mas, mesmo assim, a minha fé acaba sendo provada, e por isso eu recorro a Ti Jesus. Passa-me um bálsamo sobre as saudades e as recordações tristes. Eleva a minha mãe, abençoa-a, guarda-a e resguarda-a. A certeza que tenho de que cuidas dela me enche de esperança e de tranquilidade.

   Agradeço-te meu Jesus por ver minha mãe cercada de luz e paz junto a ti e sei que ela também ora e intercede por nós junto a Ti. Até lá chegam os meus pensamentos e as minhas orações. Obrigado Senhor, muito obrigado. Que tua benção cubra sempre de luz a alma de minha mãe para que, inundada de Ti, ela seja sempre mais presença do divino em nossas vidas. Amém!

Alberto R. Fioravanti – 16 de novembro de 2012.




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