16 de novembro de 2012 – SAUDADES DA MINHA MÃE…
Como
Charles Chaplin dizia, “A vida me
ensinou a dizer adeus às pessoas que amo, sem tirá-las do meu coração”. Neste ano de 2012 fazem
quatro anos que minha mãe Amélia Rosa Fioravanti partiu. Foi na manhã do domingo 16 de
novembro de 2008 que ela foi levada ao céu.
Mas a saudade tem sido um
sentimento constante e crescente na minha vida. Mas sempre há períodos em que a
gente está mais vulnerável ao sentimento da saudade. E sobre isso sinto que de
um tempo para cá, tenho sentido muito mais saudade da minha mãe e de meu pai,
do que eu pudesse pensar que sentiria.
É uma saudade que não sei como explicar com palavras. É sentir falta até
das broncas, que quando criança recebia ao fazer alguma arte. Como gostaria de
poder estar com minha mãe e meu pai só um pouquinho mais! Felizmente, não sou
daquelas pessoas que diz: “Depois que a gente perde é que a gente dá valor!“,
pois eu sempre dei muito valor à minha mãe e a meu pai e sabia que um dia nós
nos separaríamos e que ela iria me fazer uma falta absurda. Mas quando a
separação é concreta, parece que a dor é bem maior do que poderíamos imaginar!
Acho que é isso… às vezes eu sinto tanta, tanta saudade que até dói o meu
peito! Eu costumava dizer para minha mãe que eu a amava… agora, quando converso
com ela nas minhas orações e olho para seu retrato e vejo em seus brilhantes
olhos azuis e no seu sorriso a alegria que eles transmitem, em pensamento eu
lhe digo que continuo a amando, só que agora o que dói é a saudade…
De tudo que eu sinto saudade, o que mais me faz falta é tê-la sempre
disposta para conversar! Sim, eu sei que tenho muitas pessoas por perto, tenho
minha esposa, meus filhos, meus netos e amigos, posso contar com muitos
ouvidos… mas ninguém é igual a ela! Sabe aquelas coisas que você já está
acostumado a falar com determinada pessoa? Aquelas coisas que você só comenta
com a sua mãe? Chegar a casa e contar as coisas e, mesmo que você queira ficar
falando durante uma hora, mamãe estava ali escutando e prestando atenção…
Contar as novidades e mostrar a ela o rascunho de minhas crônicas era vê-la
vibrar com o que escrevi… Essas São pequeninas coisas, sabe… pequeninas mesmo…
mas que fazem uma diferença tão grande e que às vezes a gente só percebe quando
simplesmente elas não existem mais. É a saudade… que dói e que não tem como
remediar. Não é tristeza, é só saudade! Vontade de estar perto, de abraçar, de
beijar, de conversar…
Este texto que escrevo é um desabafo
total por estes quatro anos de ausência. Ausência física, ausência da voz e do
cheiro, das comidas que preparava, das risadas e do piscar de olhos, saudade da
amizade que ficará na lembrança e revivida em algumas fotos. A tristeza, a
saudade e a ausência não dá paz, mas o verdadeiro amor de quem se ama, tece
aquela mesma sensação dos dias de convivência, que apesar dos anos nunca se
desfaz. E a coisa mais divina que há no mundo é poder reviver cada segundo do
tempo passado com ela como nunca estivesse partido. Minha mãe, que era minha
amiga, minha confidente, sinto que ela está sempre comigo e que tenho um anjo
por perto e protegendo-me. Sei que a vou ver novamente e quero pensar que, como
eu digo em minhas crônicas, ela está comigo sempre. Não me detenho em sua tumba
a chorar, pois sei que ela não está ali, porque sei que hoje ela é a brisa que
sopra, nas tardes de verão, é o brilho do diamante na neve branca da chegada do
inverno, como víamos no inverno na Itália, é a luz do sol que ilumina meu
caminho e é uma das tênues estrelas que brilham e iluminam a noite.
Sei que
quando a suave chuva do outono cai, é ela que esta ali, e quando pela manhã uma
brisa de vento fresco roça mina face é ela me acariciando. Quando escuto o
canto dos passarinhos perto da minha janela numa manhã de primavera, é ela,
falando-me e animando-me. Quando volto para casa ao entardecer e vejo o sol se
escondendo no horizonte, sinto que ela está ali, sorrindo-me e desejando-me uma
boa noite. Todos os dias, em todos os momentos ela esta sempre comigo. Aos
domingos, na missa, ela esta contrita e rezando ao meu lado. É assim que fazem
todas as mães que já partiram.
Saudade é
isso que senti (e sinto) enquanto escrevo esta mensagem aos nossos amigos. É
impressionante que amigos e amigas de minha mãe, que eram muitos, e muitos dos
quais eu não conhecia, ainda vem até a mim falar da saudade que tem de minha
mãe e das suas qualidades humanas, o que me emociona muito.
Com a morte
da minha mãe, quanta dor, quantas lembranças estão vivas até hoje! Mas mamãe é
alma, é espírito, e vive para sempre. Agora ela mudou de moradia e sei que ela
não gostaria de me ver fraco e descrente. Mas, mesmo assim, a minha fé acaba
sendo provada, e por isso eu recorro a Ti Jesus. Passa-me um bálsamo sobre as
saudades e as recordações tristes. Eleva a minha mãe, abençoa-a, guarda-a e
resguarda-a. A certeza que tenho de que cuidas dela me enche de esperança e de
tranquilidade.
Agradeço-te
meu Jesus por ver minha mãe cercada de luz e paz junto a ti e sei que ela
também ora e intercede por nós junto a Ti. Até lá chegam os meus pensamentos e
as minhas orações. Obrigado Senhor, muito obrigado. Que tua benção cubra sempre
de luz a alma de minha mãe para que, inundada de Ti, ela seja sempre mais
presença do divino em nossas vidas. Amém!
Alberto R. Fioravanti – 16 de novembro de 2012.


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