Alberto R.
Fioravanti
Artigo publicado
em 20 de novembro de 2015
no jornal “O
Diário” de Campos dos Goytacazes, RJ.
Eu não sou santo, mas amanhã é o dia de
Santo Alberto, bispo e mártir. Ele nasceu em Lovaina, Bélgica, em 1166, era filho
de Godofredo III, duque de Brabant, e dentro do estado clerical, foi nomeado
cônego de Liège, aos 12 anos de idade, quando era ainda um estudante.
Em
1191, foi eleito bispo de Liège, mas por interesses políticos dos nobres, não
pode assumir a sede episcopal, embora tivesse sido confirmado pelo papa
Celestino III. Em 24 de novembro de 1192, em Reims ele foi assassinado, quando
se dirigia à abadia de Saint- Remi. Foi enterrado com honras na Catedral. Santo
Alberto, vítima de forte disputa entre a nobreza de Brabant e a de Rainault
pela posse da sede episcopal de Liège. Santo Alberto é um modelo na luta da
independência da Igreja diante dos interesses do poder temporal.
Amanhã é também o dia litúrgico da
Apresentação de Nossa Senhora no templo. A festa decorre da devoção popular e
se baseia na narrativa do Protoevangelho de Tiago, texto apócrifo, que fala da
consagração de Maria ao Senhor quando ela foi apresentada ao templo, desde
menina, e que prefigura o desenrolar de toda a sua existência, dedicada a Deus
Pai, pelo Cristo, no Espírito Santo de amor. Pelo meu amor à Maria, não podia
deixar de mencionar esse fato.
Sabemos que a Igreja encerra seu Ano
Litúrgico com a Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo, Rei do Universo, que
se celebrará no domingo. No entanto, poucos se dão conta de que se trata de uma
festa relativamente recente, pois só foi instituída em 1925, portanto há menos de cem anos. Mas o que teria levado
o papa Pio XI a dedicar a primeira encíclica de seu
pontificado à criação de uma festa de Cristo Rei? Lembro que no início do
século XX, o mundo que ainda estava se recuperando da Primeira Guerra Mundial
(1914-1918), fora varrido por uma onda de secularismo e de ódio à Igreja, como
nunca visto na história do Ocidente. O fascismo na Itália,
o nazismo na Alemanha, o comunismo na Rússia, o anticlericalismos e os governos
ditatoriais existentes em muitas partes.
É
neste contexto que, sem medo de ser literalmente "politicamente incorreto", o papa Pio XI institui uma
festa litúrgica para celebrar uma verdade de nossa fé: mesmo em meio a
ditaduras e perseguições à Igreja, Nosso Senhor Jesus Cristo continua a reinar,
soberano, sobre toda a história da humanidade. Recordar que Jesus é Rei do
Universo foi um gesto de coragem do papa Pio XI, pois com as
revoluções que seguiram a Primeira Guerra Mundial, o título de Cristo Rei
tornara-se um tanto impopular. Se o Papa tivesse exaltado Jesus como profeta,
mestre, curador de enfermos, servo humilde, certamente não haveria oposição
política, pois qualquer outro título teria sido mais aceitável que o de Cristo
Rei, que é um título de Jesus baseado em várias passagens bíblicas
e, em geral, usado por todos os cristãos.
A Igreja
Católica, a Igreja Anglicana, bem como várias outras denominações cristãs
protestantes, incluindo os presbiterianos, luteranos e metodistas, celebram, em
honra de Cristo sob este título, a Festa de Cristo Rei no último domingo do ano
litúrgico, antes que o novo ano comece com o primeiro domingo do Advento. Que Deus traga Paz ao mundo! Paz e Bem!

