sexta-feira, 13 de abril de 2012

SER JOVEM NO SÉCULO XXI


SER JOVEM NO SÉCULO XXI
Crônica publicada no jornal "O Diário" de Campos dos Goytacazes, em 13 de abril de 2012.

A evolução dos tempos e do Homem é constante, e a juventude de hoje já não é a que era no meu tempo, mas ela é o futuro e a continuação da nossa sociedade.
O que não se via no passado, hoje vemos nossos jovens (menores com idades compreendidas entre 9 e 14 anos ), por exemplo, nos shoppings com o seu celular na mão , fazendo compras como se fossem pessoas independentes, e com autonomia para o fazer. O tabaco e álcool também são sérias ameaças. Os perigos são muitos, e conseguir evitar a droga é quase um milagre, e não se sabe onde se vai parar. Por outro lado é triste ver que a nossa sociedade vê e sabe, mas não toma ações para acabar com as cracolândias que destroem jovens e adultos.
Isso me faz pensar nos valores morais que têm sido perdidos pelas novas gerações, muito disso é provocado pela evolução dos tempos, que corre rapidamente, e pelo real desinteresse dos políticos com a educação. Assim, a mídia nos mostra jovens, cada vez mais jovem, iniciando uma vida de noitadas, povoando os locais noturnos que ficam abertos até alta madrugada, dando inicio precoce a uma vida sexual ativa, sem preocupação e cuidado, e muitos indo para a delinquência. Mesmo quando os pais estão atentos e imponham regras e limites, a revolta se faz ouvir, porque há colegas e amigos que não possuem a obrigação de respeitar essas mesmas regras e limites. A tudo se quer ter acesso, e a tudo se quer experimentar.
Muitos jovens pensam e se expressam: “Se os outros podem, porque eu não posso também?” Muitos pais também desconhecem os locais freqüentados por seus filhos, desconhecem as suas companhias, e desconhecem os seus vícios - estes últimos infelizmente, cada vez mais são usuais para muitos jovens de hoje. Sabemos que em todas as gerações existiu a necessidade de liberdade, de espaço, de afirmação, de expressão e de revolta. Entretanto, hoje os instrumentos que se encontram à disposição, com aquisição facilitada, são mais diversificados e perigosos que antes, e muitos jovens se perdem pelo caminho que deveria de ser saudável e seguro.
Alguns jovens têm a mente mais susceptível à fraqueza e se deixam tentar por influências externas, outros não possuem o apoio e atenção necessária em sua casa. Embora isto não aconteça por deliberada passividade dos pais, mas pela imposição da sociedade em que se vive, fazendo com que pais e mães, pela exigência do trabalho, tenham de se ausentar de casa, cada vez por mais horas e dias seguidos, obrigados a prescindir da companhia dos filhos, para que consigam dar-lhes uma vida condigna. E hoje, a sociedade consumista e material em que vivemos, incita os indivíduos a pensar que nada é suficiente para que se sintam satisfeitos.
Noto que cada vez mais se torna necessário reencontrar um equilíbrio e readquirir valores! Os exemplos que a mídia nos mostra evidencia que é imperativo para os jovens adquirir consciência de que não são as bebidas ou os estupefacientes que lhes darão liberdade, porque essa liberdade não passa de uma simples sensação, tão momentânea quanto passageira, e que não é real. A
única realidade é o desconforto da ressaca, e da dor provocada pela ansiedade e necessidade de satisfazer um vicio que ganha vida própria, exigindo ser alimentado. Seria isso o que chamam liberdade? Ou seria a verdadeira clausura total? Seria isso a alegria de viver? Ou seria apenas um embuste que afasta os nossos jovens da verdadeira alegria de viver?
Ainda bem que há pais e mães que se preocupam em ensinar seus filhos a viverem suas vidas de forma correta, para assim crescerem interiormente com altos valores de cidadania. Mas será que a maioria está preparada para os desafios da sociedade moderna? Oxalá todos os Pais e todas as Mães pudessem interiorizar-se e perscrutar no fundo de suas consciências, onde ficaram os valores dos laços familiares, e deixando-se guiar pelo amor, possam ajudar não só aos seus
próprios filhos, mas também, aos colegas e amigos de seus filhos a vislumbrar um rumo certo, não impondo, mas aconselhando. Não exigindo, mas amando. Não criticando, mas partilhando.
Infelizmente a mídia nos mostra que alguns jovens de hoje mal conseguem viver sua juventude em pleno, sentindo a alegria de ser jovem. Como seria bom se cada Pai e cada Mãe conseguissem ser o PAI e a MÃE que o filho necessita, e que o Amor e a Paz inundassem todos os lares para permitir que todos os jovens possam crescer física e mentalmente saudáveis!
Alberto R. Fioravanti.

terça-feira, 3 de abril de 2012

CELEBRANDO A CAMPOS DOS GOYTACAZES!


CELEBRANDO A CAMPOS DOS GOYTACAZES!

A história do Município de Campos dos Goytacazes é rica de fatos e de temas que dariam motivo para filmes e novelas históricas, mas tristemente, ainda hoje, neste século XXI, ela é desconhecida por muitos campistas. São poucos os que estudam a história do lugar onde vive para saber como se originou, e quais foram os fatos que motivaram o seu desenvolvimento. Muitos lugares nascem, crescem e infelizmente desaparecem, mas felizmente Campos dos Goytacazes veio crescendo sem parar e hoje possui uma história rica de acontecimentos e de personagens de grande valor. Foi a 28 de março de 1835 que a existente Vila de São Salvador foi elevada à categoria de cidade, com o nome de Campos dos Goytacazes, isto há 177 anos, cuja festividade foi comemorada esta semana.

A efetiva colonização da região começou em 1627, quando o então Governador-Geral do Rio de Janeiro, Martim Corrêa de Sá, doou em 19 de agosto de 1627, algumas glebas da capitania a: Miguel Maldonado, Miguel da Silva Riscado, Antônio Pinto Pereira, João de Castilhos, Gonçalo Corrêa da Sá, Manuel Corrêa e Duarte Corrêa, em reconhecimento pelo heroísmo nas lutas contra os índios e piratas na colonização das terras. Eles eram chamados de “Sete Capitães”, títulos dados e pela participação nas lutas contras os franceses, e dois anos depois tomaram posse da sesmaria, dividiram as terras entre si e em 1633 começaram a levantar currais próximos à Lagoa Feia e à Ponta de São Tomé. Como o numero do gado se multiplicava, começaram a exportá-lo para o mercado consumidor do Rio de Janeiro.

O primeiro curral foi construído em 8 de dezembro de 1633 (há 379 anos), em Campo Limpo, e a 10 de dezembro de 1633 construíram outro na ponta de São Tomé. Dos sete capitães, apenas Miguel Riscado se estabeleceu nas terras recebidas. Os demais alugaram as áreas que lhes cabiam a colonos ou as doaram aos padres jesuítas, carmelitas e beneditinos.

Os frades propuseram ao então Governador do Rio de Janeiro, o General Salvador Corrêa de Sá e Benevides, que acabara de chegar ao Rio de Janeiro com muitos escravos, a doação de terras sob o pretexto de catequizar os índios, e em 1648, conseguiu a doação das terras da Capitania de São Tomé, que, desde 1615, passara a chamar-se Capitania da Paraíba do Sul, para seus filhos Martim Corrêa de Sá e Benevides, Primeiro Visconde de Asseca, e João Corrêa de Sá. O General Salvador Corrêa de Sá fundou um primeiro engenho, e deu-se início ao “Ciclo do Açúcar”, e em 1652 já havia uma povoação com 70 moradores (há 360 anos), representados por João Velho de Azevedo, o Ouvidor de Cabo Frio (há na Câmara, no registro geral de 1740-1749, a carta de confirmação da Capitania ao Visconde de Asseca, em 23 de novembro de 1674). Em poucos anos, a povoação prosperou, e em 29 de maio de 1677, ou seja, há 335 anos, com 150 moradores, foi fundada a vila de São Salvador, em. Uma segunda vila, a "Vila de São João da Praia da Parahyba do Sul" (São João da Barra) com 24 moradores, foi fundada em 8 de junho de 1677.

É bom lembrar que com o crescimento continuo da população local, em 1652 ocorreu à primeira eleição para a formação da Câmara de Vereadores da Vila de São Salvador! Não se pode encontrar nenhuma Ata da época, sendo que a mais antiga é a do ano de 1730, entretanto Júlio Feydit indica que a ata de 1652 havia sido aprovada pelo Ouvidor Geral João Velho de Azevedo, e que os Vereadores (Oficiais do Senado da Câmara) tomaram posse no dia 1 de janeiro de 1653.

Os limites originais da capitania não foram respeitados e os impostos e taxas criados fizeram com que muitos colonos fossem expulsos, e iniciou-se, assim, um longo período de violentos conflitos de terras que envolviam, de um lado, os Asseca e, de outro, os descendentes dos sete capitães e criadores de gado. Foram cem anos de domínio dos Asseca, até que, em 1748, explodiu um levante chefiado pela fazendeira Benta Pereira que, aos 72 anos, a cavalo e armada de pistolas, chefiou o combate, que acabou por derrotar os Asseca.

E o Município de Campos dos Goytacazes continua crescendo, firme e forte, demonstrando uma grande preocupação pelo desenvolvimento social e econômico de seu povo.