quinta-feira, 4 de outubro de 2018

ALGUNS SEGUNDOS NO CÉU!


    Em 2003, com 61 anos de idade, eu tive uma experiência estranha, interessante e muito sui-generis e que me acercou a Dom Tiago Alberione. Com Anair, no mês de março, nós regressavamos ao Brasil num voo sem escalas de Miami ao Rio de Janeiro, da American Airlines, e em um determinado momento, quando o avião já sobrevoa o território do Brasil, eu me sentia estranho, com uma dor no peito e os braços dormentes. Já tendo sofrido um infarto, procurei o comissário de bordo para pedir algum remédio para o coração, mas fui informado que só um médico poderia ter acesso à caixa de remédios de bordo. Então pedi que solicitasse ao comandante do avião que verificasse se, entre os passageiros, haveria algum médico. Para minha sorte havia uma cardiologista que regressava ao Brasil (podem imaginar a sorte de ter uma cardiologista a bordo). Ela regressava ao Brasil depois de ter acompanhado um paciente aos Estados Unidos. 


   Fui examinado pela médica (lamentavelmente não lhe perguntei seu nome) e tomei os remédios apropriados que ela levava em sua bolsa. A minha pressão sanguínea estava bem elevada e me levaram para primeira classe e me colocaram deitado. Passado alguns minutos a médica me perguntou como me sentia, mas a dor não tinha melhorado. Em vista disso ela informou ao capitão que eu não chegaria vivo no Rio de Janeiro para ser atendido, e, portanto recomendou que o avião fizesse um pouso de emergência em Brasília, que estava próximo.

   O café da manhã já estava sendo servido, e escutei o comandante informando que iriam parar o serviço para fazer um pouso de emergência em Brasília para deixar um passageiro que se sentia mal (esse passageiro era eu).

   Lembro-me bem desses momentos de angústia. Desci do avião numa maca, indo direto para uma ambulância que me esperava ao pé da escada do avião e fui levado às pressas para um hospital local (onde de ingresso e fui levado direto para a sala de cirurgia onde fui submetido a uma angioplastia). Essa seria a segunda angioplastia que eu fazia. Durante o processo foi acordado o tempo todo (pelo menos eu pensava assim) e eu podia ver os monitores sobre minha cabeça que mostravam o que estava sendo feito dentro de minhas artérias para desbloqueá-los. Meus olhos estavam fixos na tela do monitor e a certa altura eu me lembro de ter ouvido um grito. 

   Depois que o procedimento foi concluído foi levado para a unidade de terapia intensiva e lá permaneceu por dois dias, e de vez em quando ia me lembrando de ter estado num lugar com uma forte neblina, onde eu me sentia maravilhosamente bem. Era uma grande felicidade que me é difícil colocá-la em palavras - e eu estava em um lugar de nevoeiro, cinzento e nublado. 

   Num certo momento eu comecei a ver, através da névoa, rostos de pessoas não conhecidas e que estavam em torno de mim, a uns 6 metros de distância – e a felicidade que eu estava sentindo se transformou em preocupação, uma vez que percebi que me olhavam com uma cara séria e sombria – em minha mente veio uma pergunta: "Por que são eles olhando para mim assim, pois não fiz nada de errado?". Enquanto eu estava pensando que, eu vi um homem, vestido com uma túnica branca, ele foi menor do que eu, mais ou menos careca, com uma cara séria e sombria, próximos caminhando em direção a mim (eu não podia ver o chão ou se estava de pé sobre um terreno). Eu podia ver a cara do que o homem muito Fechar. E quando ele estava na frente de mim ele me deu um soco com ambas as mãos e gritei: "Aiiiiii", como o que eu me lembro de ter ouvido enquanto olha para o monitor, na sala de cirurgia. Quando eu deixei a unidade de cuidados intensivos, mencionei ao médico o que eu escrevi acima e ela me disse que para ela era uma experiência extracorpórea que eu tinha, e ela me disse que meu coração parou de bater por 36 segundos (não tão longos como no seu caso), e eu tive de ser revivido com choque elétrico. 

   Eu sou católico e sigo o ensinamento da Igreja, e eu nunca pensei que eu iria passar por essa experiência. Com esta experiência, que comecei a tentar lembrar as características da pessoa que me deu o soco – desde que ele era careca e meu pai também era careca, eu tentei melhorar o foco em seu rosto para ver se ele era meu pai. Mas eu não lograva ver o rosto do meu pai.

   Em outubro de 2003, eu fui a Roma para visitar amigos (eu morava em Roma há 18 anos ao trabalhar para as Nações Unidas). Eu e Anair fomos convidados para jantas pela Irmã Mercedes Mastrosteffano, da Ordem Paulina. Lá ela nos levou para visitar a Basílica Regina Apostolorum e o Museu do fundador da Ordem dos Paulinos, Dom Tiago (Giacomo em italiano) Alberione, que tinha sido Beatificado em abril de 2003. O museu do fundador consistia do seu escritório, seu quarto de dormir e uma sala com lembranças que recebeu durante suas viagens, que estavam dentro de vitrines de vidro protegido.

   Curioso que sou, para ver os diplomas e medalhas me antecipei para ver a sala com as recordações. Nas ultimas vitrines, antes da porta de saída para o corredor havia manequins de alfaiate, dois numa vitrine e um na ultima. Esses manequins são aqueles sem cabeça, e neles estavam as batinas que Dom Alberione usava. Ao chegar á ultima vitrine onde estava o manequim com a batina branca, ao olhar para ela, eu vi Dom Alberione sorrindo e acenando para mim. Então, nesse momento eu reconheci que ele era a pessoa que me deu o empurrão que me enviou de voltar a esse mundo. Nesse instante eu comecei a chorar copiosamente e lágrimas abundantemente saiam dos meus olhos. Minha esposa com a Irmã, que vinha atrás pensou que eu não estava me sentindo bem, e eu lhe expliquei o que havia visto. 

   Saindo da área de museus, havia uma mesa com lembranças de sua beatificação, que eu apanhei para trazer. Inclusive um santinho com a sua foto e quando eu estava olhando para ela, ouvi uma voz perto do meu ouvido dizendo em italiano: "Nós conseguimos, Eh!" Ainda tenho essa experiência gravada em minha mente como se tivesse acontecido hoje.

   Com efeito, lembro-me bem como eu me sentia tão bem e feliz naquele lugar que não sei onde era – tive um pouco de angustia ao ver, entre a neblina, pessoas me olhando com caras preocupadas e ao receber o empurrão de volta á terra. E foram apenas 36 segundos do nosso tempo e não do tempo de Deus, que durou a parada cardíaca.

   Minha experiência foi em um lugar cinzento e nublado e me senti maravilhoso, e posso imaginar como deve ser maravilhoso estar num lugar de luz brilhante, no céu.

Escrito por
Alberto Rosa Fioravanti


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