ALGUNS
SEGUNDOS NO CÉU!
Em
2003,
com 61 anos de idade, eu tive uma experiência estranha, interessante e muito
sui-generis e que me acercou a Dom Tiago Alberione. Com Anair, no mês de março,
nós regressavamos ao Brasil num voo sem escalas de Miami ao Rio de Janeiro, da
American Airlines, e em um determinado momento, quando o avião já sobrevoa o
território do Brasil, eu me sentia estranho, com uma dor no peito e os braços
dormentes. Já tendo sofrido um infarto, procurei o comissário de bordo para
pedir algum remédio para o coração, mas fui informado que só um médico poderia
ter acesso à caixa de remédios de bordo. Então pedi que solicitasse ao
comandante do avião que verificasse se, entre os passageiros, haveria algum
médico. Para minha sorte havia uma cardiologista que regressava ao Brasil
(podem imaginar a sorte de ter uma cardiologista a bordo). Ela regressava ao
Brasil depois de ter acompanhado um paciente aos Estados Unidos.
Fui examinado pela médica
(lamentavelmente não lhe perguntei seu nome) e tomei os remédios apropriados
que ela levava em sua bolsa. A minha pressão sanguínea estava bem elevada e me
levaram para primeira classe e me colocaram deitado. Passado alguns minutos a
médica me perguntou como me sentia, mas a dor não tinha melhorado. Em vista
disso ela informou ao capitão que eu não chegaria vivo no Rio de Janeiro para
ser atendido, e, portanto recomendou que o avião fizesse um pouso de emergência
em Brasília, que estava próximo.
O café da manhã já estava
sendo servido, e escutei o comandante informando que iriam parar o
serviço para fazer um pouso de emergência em Brasília para deixar um passageiro
que se sentia mal (esse passageiro era eu).
Lembro-me bem desses
momentos de angústia. Desci do avião numa maca, indo direto para uma ambulância
que me esperava ao pé da escada do avião e fui levado às pressas para um
hospital local (onde de ingresso e fui levado direto para a sala de cirurgia
onde fui submetido a uma angioplastia). Essa seria a segunda angioplastia que
eu fazia. Durante o processo foi acordado o tempo todo (pelo menos eu pensava
assim) e eu podia ver os monitores sobre minha cabeça que mostravam o que
estava sendo feito dentro de minhas artérias para desbloqueá-los. Meus olhos
estavam fixos na tela do monitor e a certa altura eu me lembro de ter ouvido um
grito.
Depois que o procedimento
foi concluído foi levado para a unidade de terapia intensiva e lá permaneceu
por dois dias, e de vez em quando ia me lembrando de ter estado num lugar com
uma forte neblina, onde eu me sentia maravilhosamente bem. Era uma grande
felicidade que me é difícil colocá-la em palavras - e eu estava em um lugar de
nevoeiro, cinzento e nublado.
Num certo momento eu
comecei a ver, através da névoa, rostos de pessoas não conhecidas e que estavam
em torno de mim, a uns 6 metros de distância – e a felicidade que eu estava
sentindo se transformou em preocupação, uma vez que percebi que me olhavam com
uma cara séria e sombria – em minha mente veio uma pergunta: "Por que são
eles olhando para mim assim, pois não fiz nada de errado?". Enquanto eu
estava pensando que, eu vi um homem, vestido com uma túnica branca, ele foi
menor do que eu, mais ou menos careca, com uma cara séria e sombria, próximos
caminhando em direção a mim (eu não podia ver o chão ou se estava de pé sobre
um terreno). Eu podia ver a cara do que o homem muito Fechar. E quando ele
estava na frente de mim ele me deu um soco com ambas as mãos e gritei:
"Aiiiiii", como o que eu me lembro de ter ouvido enquanto olha para o
monitor, na sala de cirurgia. Quando eu deixei a unidade de cuidados
intensivos, mencionei ao médico o que eu escrevi acima e ela me disse que para
ela era uma experiência extracorpórea que eu tinha, e ela me disse que meu
coração parou de bater por 36 segundos (não tão longos como no seu caso), e eu
tive de ser revivido com choque elétrico.
Eu sou católico e sigo
o ensinamento da Igreja, e eu nunca pensei que eu iria passar por essa
experiência. Com esta experiência, que comecei a tentar lembrar as características
da pessoa que me deu o soco – desde que ele era careca e meu pai também era
careca, eu tentei melhorar o foco em seu rosto para ver se ele era meu pai. Mas
eu não lograva ver o rosto do meu pai.
Em outubro de 2003, eu
fui a Roma para visitar amigos (eu morava em Roma há 18 anos ao trabalhar para
as Nações Unidas). Eu e Anair fomos convidados para jantas pela Irmã Mercedes
Mastrosteffano, da Ordem Paulina. Lá ela nos levou para visitar a Basílica
Regina Apostolorum e o Museu do fundador da Ordem dos Paulinos, Dom Tiago (Giacomo
em italiano) Alberione, que tinha sido Beatificado em abril de 2003. O museu do
fundador consistia do seu escritório, seu quarto de dormir e uma sala com
lembranças que recebeu durante suas viagens, que estavam dentro de vitrines de
vidro protegido.
Curioso
que sou, para ver os diplomas e medalhas me antecipei para ver a sala
com as recordações. Nas ultimas vitrines, antes da porta de saída para o
corredor havia manequins de alfaiate, dois numa vitrine e um na ultima. Esses manequins
são aqueles sem cabeça, e neles estavam as batinas que Dom Alberione usava. Ao
chegar á ultima vitrine onde estava o manequim com a batina branca, ao olhar
para ela, eu vi Dom Alberione sorrindo e acenando para mim. Então, nesse
momento eu reconheci que ele era a pessoa que me deu o empurrão que me enviou
de voltar a esse mundo. Nesse instante eu comecei a chorar copiosamente e
lágrimas abundantemente saiam dos meus olhos. Minha esposa com a Irmã, que
vinha atrás pensou que eu não estava me sentindo bem, e eu lhe expliquei o que
havia visto.
Saindo da área de museus,
havia uma mesa com lembranças de sua beatificação, que eu apanhei para trazer.
Inclusive um santinho com a sua foto e quando eu estava olhando para ela, ouvi
uma voz perto do meu ouvido dizendo em italiano: "Nós conseguimos, Eh!"
Ainda tenho essa experiência gravada em minha mente como se tivesse acontecido
hoje.
Com efeito, lembro-me bem
como eu me sentia tão bem e feliz naquele lugar que não sei onde era – tive um
pouco de angustia ao ver, entre a neblina, pessoas me olhando com caras
preocupadas e ao receber o empurrão de volta á terra. E foram apenas 36
segundos do nosso tempo e não do tempo de Deus, que durou a parada cardíaca.
Minha experiência foi
em um lugar cinzento e nublado e me senti maravilhoso, e posso imaginar como
deve ser maravilhoso estar num lugar de luz brilhante, no céu.
Escrito por
Alberto Rosa Fioravanti

Nenhum comentário:
Postar um comentário