segunda-feira, 15 de outubro de 2018

São Benedito, um santo muito festejado

                                                            Alberto Fioravanti – Membro da Academia Campista de Letras (ACL)
     São Benedito é o primeiro negro canonizado na Igreja e seu exemplo de vida merece ser seguido e ele é festejado solenemente em todo o Brasil nas mais variadas datas, segundo as tradições locais, mas em Campos dos Goytacazes, onde tudo acaba, até um rescrito papal, do Papa Leão XIII, que autoriza a Irmandade e a Paróquia de São Benedito a celebrar seu santo padroeiro no segundo domingo da Páscoa é respeitado. Lembro que o dia 5 de outubro foi estabelecido pela CNBB como memória facultativa, mas não como dia de São Benedito.
São Benedito descendia de escravos oriundos da Etiópia, na África. Foi pastor de ovelhas e lavrador. Aos 18 anos de idade, empolgado com a fé cristã, consagrou-se a Deus. Aos 21 ingressou na ordem dos franciscanos. Fez votos de pobreza, obediência e castidade. Uma característica interessante de São Benedito é que ele era analfabeto e no convento, ele foi designado cozinheiro, uma função comum nos conventos, porém, de grande responsabilidade. Era um cargo de extrema confiança. São Benedito caminhava descalço pelas ruas e dormia no chão sem cobertas. Por causa de sua fama de santidade, era muito procurado pelo povo, que desejava ouvir seus conselhos e pedir-lhe orações. Ele retirava mantimentos do Convento, escondia-os em suas roupas e os levava para atender aos famintos da cidade.
    Seu nome era Benedito Manasseri e nasceu na pequena localidade de São Filadelfio, na província de Messina, em um dia não especificado de 1524. Ele era filho dos escravos Cristóvão e Diana, originários da Etiópia, e por decisão de Manasseri, dono dos escravos, ele nasceu livre e também seu irmão chamado Marco e duas irmãs, Baldassara e Fradella, todos menores do que ele. Desde pequeno ele demonstrava vontade pela solidão e autopenitencia que o fez ganhar o apelido de santo, apesar de ser maltratado pelos seus coetâneos. Aos dezoito anos, ele deixou a casa dos pais e trabalhando por conta própria começou a ajudar os pobres. Com a idade de vinte e um anos, ele foi para o eremitério de Santa Domenica. Com a morte do fundador da ermida de Santa Domenica, Girolamo Lanza, foi eleito superior pelos confrades, apesar do analfabetismo. Em 1562, o papa Pio IV cancelou a comunidade e os confrades tiveram que procurar hospitalidade em outros conventos. Benedito escolheu a ordem dos reformados Frades Menores, e foi primeiro enviado ao convento de Santa Anna de Giuliana, onde permaneceu quatro anos, depois ao convento de Santa Maria de Jesus em Palermo, onde permaneceu até sua morte.
    Inicialmente, Benedito trabalhou como chefe de cozinha, depois se tornou superior do convento em 1578, depois trabalhou com os novatos e, finalmente, passou a cozinhar. De acordo com a tradição, ele realizou muitos milagres; Ele tinha fama de santidade até mesmo durante sua vida, de modo que muitos eclesiásticos, teólogos e até mesmo o vice-rei confiaram em seus conselhos antes de tomar decisões importantes. Em fevereiro de 1589, Benedito foi acometido por uma doença grave e morreu no dia 4 de abril, no mosteiro de Santa Maria de Jesus, com fama de santidade. Foi beatificado em 1763 e canonizado em 1807. No Brasil a devoção a São Benedito chegou em 1686, antes mesmo da sua beatificação e canonização, cultuado inicialmente pelos escravos negros, por causa da cor de sua pele. Paz e Bem!

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