quarta-feira, 1 de agosto de 2018


A Devoção a São Benedito



Benedito, cujo nome quer dizer “bendito” ou “abençoado” nasceu por volta de 1524 na localidade de São Filadelfo, na Sicília[1]. Ele era filho de escravos de origem etíope, Cristóvão Manasseri e Diana Larcan[2], que viviam na Sicília. Pouco tempo após sua morte, ocorrida em 4 de abril de 1589, movidas por tanta devoção popular e pelo clamor de tantos fenômenos milagrosos que aconteceram por sua intercessão, mesmo durante sua vida, em 5 de agosto de 1594, no Arcebispado de Palermo, as autoridades religiosas iniciaram o processo de canonização do servo de Deus – nessa data, depois da morte de Benedito já haviam sido registrados 54 feitos milagrosos, sem contar inúmeros outros não registrados[3]. 
Em 18 de março de 1623, depois de muitos estudos e deliberações, a Sagrada Congregação dos Ritos, em Roma, publicou o decreto “Sufficienter constare de Sanctitate ad effectum de quo agitur, mas foi em 1743, que o Papa Benedito XIV beatifica Benedito, o Africano. Finalmente, foi em 25 de maio de 1807, que o Papa Pio VII, com a “Bulla Canonizationis”, assinada por 27 cardeais, declara que o bem-aventurado Benedito era digno de ser colocado nos altares, e de ser chamado São Benedito. Ele foi o primeiro santo africano e de raça negra, que a Igreja canonizava.
Benedito morreu aos 65 anos de idade, depois de duas enfermidades, e como tinha profetizado foi enterrado no cemitério do Convento de Santa Maria de Jesus. Seu corpo, que baixou sepultura, inclusive em área de aluviões, teve que ser várias vezes transladado para facilitar o acesso das multidões que queriam orar próxomo do local onde estava enterrado. Hoje, o corpo de São Benedito que está em bom estado de conservação, se encontra no interior da Igreja de Santa Maria de Jesus, em Palermo, Itália, onde pode ser visto pelos fiéis numa urna de cristal colocada no trono de um dos altares laterais (o “Altar do Santo”), localizado à direita da entrada da Igreja. Sob sua urna, lê-se: “Este homem, pela vida e pelo nome, foi ben(e)dito diante de Deus. Morreu no dia 4 de abril de 1589”.  O autor e sua família tiveram a oportunidade de orar, em várias ocasiões, aos pés do altar do Santo, e de sentir a emoção de contemplar o corpo incorrupto de São Benedito.
Mesmo antes de terminado os processos de beatificação e de canonização, a devoção a São Benedito se espalhou rapidamente mais além das fronteiras da Sicília, indo primeiro para o continente europeu e dali para a África e em seguida para o Novo Mundo, graças à ação evangelizadora de missionários espanhóis e portugueses.



[1] Como os livros de registro de batismo da localidade de São Filadelfo (hoje São Fratello) foram destruídos, existe divergência entre historiadores em quanto ao ano de nascimento de São Benedito - para uns foi em 1524 e para outros em 1526. Depois de analisar os manuscritos do processo de beatificação e de canonização, consideramos que a data mais correta é a de 1524, que também é a aceita pelos Frades Franciscanos Menores, do Convento de Santa Maria de Jesus, onde São Benedito viveu seus últimos anos, até falecer em 1589, e onde os registros indicam sua morte aos 65 anos de idade. Numa placa que hoje marca a entrada de uma das celas do Convento de Santa Maria de Jesus, o exato humilde lugar, onde por muitos anos viveu São Benedito, estão gravadas as datas de seu nascimento (1524) e de sua morte (1589).
[2] Era costume da época que os escravos adotassem o sobrenome de seu senhor. Cristóvão adotou o sobrenome de Vicente Manassari, e Diana, que era uma escrava alforriada, que pertencera a Casa de Larcan, adotou o sobrenome Larcan.
[3] Documentos do processo de beatificação e canonização.

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