A Devoção a São Benedito
Benedito, cujo nome quer dizer “bendito” ou “abençoado” nasceu por volta de 1524 na localidade de São Filadelfo, na Sicília[1].
Ele era filho de escravos de origem etíope, Cristóvão Manasseri e Diana Larcan[2],
que viviam na Sicília. Pouco tempo após sua morte, ocorrida em 4 de abril de
1589, movidas por tanta devoção popular e pelo clamor de tantos fenômenos
milagrosos que aconteceram por sua intercessão, mesmo durante sua vida, em 5 de
agosto de 1594, no Arcebispado de Palermo, as autoridades religiosas iniciaram
o processo de canonização do servo de Deus – nessa data, depois da morte de
Benedito já haviam sido registrados 54 feitos milagrosos, sem contar inúmeros
outros não registrados[3].
Em 18 de março de 1623, depois de muitos estudos e deliberações, a
Sagrada Congregação dos Ritos, em Roma, publicou o decreto “Sufficienter constare de Sanctitate ad effectum de quo agitur, mas foi em 1743, que o Papa
Benedito XIV beatifica Benedito, o Africano. Finalmente, foi em 25 de maio de
1807, que o Papa Pio VII, com a “Bulla Canonizationis”, assinada por
27 cardeais, declara que o bem-aventurado Benedito era digno de ser colocado
nos altares, e de ser chamado São Benedito. Ele foi o primeiro santo africano e
de raça negra, que a Igreja canonizava.
Benedito morreu aos 65 anos
de idade, depois de duas enfermidades, e como tinha profetizado foi enterrado
no cemitério do Convento de Santa Maria de Jesus. Seu corpo, que baixou
sepultura, inclusive em área de aluviões, teve que ser várias vezes transladado
para facilitar o acesso das multidões que queriam orar próxomo do local onde
estava enterrado. Hoje, o corpo de São Benedito que está em bom estado de
conservação, se encontra no interior da Igreja de Santa Maria de Jesus, em
Palermo, Itália, onde pode ser visto pelos fiéis numa urna de cristal colocada
no trono de um dos altares laterais (o “Altar do Santo”), localizado à direita
da entrada da Igreja. Sob sua urna, lê-se: “Este
homem, pela vida e pelo nome, foi ben(e)dito diante de Deus. Morreu no dia 4 de
abril de 1589”. O autor e sua
família tiveram a oportunidade de orar, em várias ocasiões, aos pés do altar do
Santo, e de sentir a emoção de contemplar o corpo incorrupto de São Benedito.
Mesmo antes de terminado os
processos de beatificação e de canonização, a devoção a São Benedito se
espalhou rapidamente mais além das fronteiras da Sicília, indo primeiro para o
continente europeu e dali para a África e em seguida para o Novo Mundo, graças
à ação evangelizadora de missionários espanhóis e portugueses.
[1] Como os
livros de registro de batismo da localidade de São Filadelfo (hoje São
Fratello) foram destruídos, existe divergência entre historiadores em quanto ao
ano de nascimento de São Benedito - para uns foi em 1524 e para outros em 1526.
Depois de analisar os manuscritos do processo de beatificação e de canonização,
consideramos que a data mais correta é a de 1524, que também é a aceita pelos
Frades Franciscanos Menores, do Convento de Santa Maria de Jesus, onde São
Benedito viveu seus últimos anos, até falecer em 1589, e onde os registros indicam
sua morte aos 65 anos de idade. Numa placa que hoje marca a entrada de uma das
celas do Convento de Santa Maria de Jesus, o exato humilde lugar, onde por
muitos anos viveu São Benedito, estão gravadas as datas de seu nascimento
(1524) e de sua morte (1589).
[2] Era
costume da época que os escravos adotassem o sobrenome de seu senhor. Cristóvão
adotou o sobrenome de Vicente Manassari, e Diana, que era uma escrava
alforriada, que pertencera a Casa de Larcan, adotou o sobrenome Larcan.
[3] Documentos
do processo de beatificação e canonização.

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