Alberto R. Fioravanti
Publicado no jornal “O Diário” de
Campos dos Goytacazes,
Em 29-007-2016.
Seis horas da tarde!
Hora solene, hora da graça, na despedida de mais um dia em que tudo se toca, se
envolve e enlaça. E aos suaves acordes da
Ave-Maria o sol se escondia lá no horizonte bem distante e a natureza se
emudecia e uma grande cadeia de homens e mulheres, fechavam os olhos por um
instante, elevando a alma em terna prece. Era um misterioso e um divinal
momento de prece, de meditação e de amor fraterno, quando tudo se acalmava num
instante que é lento. Era a hora da Ave-Maria, a hora da graça e a hora da luz,
que por quase 60 anos, as seis horas da tarde, escutamos diariamente as preces
e as mensagens de esperança que tocavam os nossos corações, através da voz de
Valdebrando Silva, estivessemos nós bem ou estovessemos aflitos, enfermos ou
desesperançados. E escuto os sinos tocarem.
A Hora da Ave-Maria
era um costume português que foi adotado no Brasil colonial e representava o
fim de um dia de trabalho, numa época distante, onde ninguém tinha relógios, e
era o sino das igrejas que batiam as horas do dia. O final da jornada de
trabalho coincidia com as 18 horas, e para marcar o fim dos trabalhos, todos se
reuniam e rezavam a Ave Maria. Nessa hora se reuniam escravos, senhores,
mulheres, homens, e crianças, e era a hora do terço em família, a hora da volta
para casa, e ao falar em Maria, logicamente Jesus está presente.
Era a “Oração da
Ave-Maria” que até o ano passado de 2015, as 18 horas, eu sintonizava a Rádio
Campos Difusora, para escutar Valdebrando Silva. Suas palavras nos conduzia a
um momento mágico do dia, que nem era mais dia nem ainda era noite, mas era a
hora do mistério, o mistério que foi a encarnação de Jesus no seio imaculado de
Maria. Mas Valdebrando Silva faleceu e sua voz se calou. A Hora da Ave-Maria
não era apenas um ministério de veneração à mãe de Jesus, mas se transpunha do
religioso para entrar num apostolado de assistência social que atendia a
inúmeras pessoas portadoras de necessidades e que mobilizava uma enorme cadeia
de benfeitores sensibilizados pelas palavras e reflexões de Valdebrando.
A prece da Ave-Maria
às l8 horas, denominada “A HORA DO ÂNGELUS”, nos lembrava o momento da
anunciação - feita pelo anjo Gabriel a Maria - da concepção de Jesus Cristo. No
mundo cristão essa é uma hora rememorada através de preces e orações, e a Hora
da Ave-Maria, fez com que muita gente tenha saído da tristeza para a alegria da
esperança, pois Jesus Cristo nunca deixa de atender aos pedidos feitos a Ele
através de sua mãe Maria. Nessa hora recebiamos incontáveis palavras de conforto, de estímulo e de esperança que
Valdebrando levava aos seus ouvintes. E em suas palavras ficava claro que só
temos duas certezas absolutas na vida: estamos vivos e um dia vamos morrer, mas
ninguém sabe quando nem como. Esta certeza incerta nos incomoda e nos preocupa,
e entregamos esta realidade a Deus pelas mãos de Maria, como Valdebrando nos
fazia entender todos os dias, ao terminar a prece dizendo: “agora e na hora de
nossa morte”. Ao pé
da Cruz, Maria participava ativamente, oferecendo-se ao Filho, compadecendo-se
de forma indescritível com Ele. E Maria está conosco em todos os momentos de nossas
vidas, especialmente nos mais difíceis. Paz e Bem!

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