terça-feira, 2 de agosto de 2016

“...ao cair da tarde, os sinos soavam convidando-nos à oração...”.

Alberto R. Fioravanti
Publicado no jornal “O Diário” de Campos dos Goytacazes,
Em 29-007-2016.

   Seis horas da tarde! Hora solene, hora da graça, na despedida de mais um dia em que tudo se toca, se envolve e enlaça. E aos suaves acordes da  Ave-Maria o sol se escondia lá no horizonte bem distante e a natureza se emudecia e uma grande cadeia de homens e mulheres, fechavam os olhos por um instante, elevando a alma em terna prece. Era um misterioso e um divinal momento de prece, de meditação e de amor fraterno, quando tudo se acalmava num instante que é lento. Era a hora da Ave-Maria, a hora da graça e a hora da luz, que por quase 60 anos, as seis horas da tarde, escutamos diariamente as preces e as mensagens de esperança que tocavam os nossos corações, através da voz de Valdebrando Silva, estivessemos nós bem ou estovessemos aflitos, enfermos ou desesperançados. E escuto os sinos tocarem.

   A Hora da Ave-Maria era um costume português que foi adotado no Brasil colonial e representava o fim de um dia de trabalho, numa época distante, onde ninguém tinha relógios, e era o sino das igrejas que batiam as horas do dia. O final da jornada de trabalho coincidia com as 18 horas, e para marcar o fim dos trabalhos, todos se reuniam e rezavam a Ave Maria. Nessa hora se reuniam escravos, senhores, mulheres, homens, e crianças, e era a hora do terço em família, a hora da volta para casa, e ao falar em Maria, logicamente Jesus está presente. 
   Era a “Oração da Ave-Maria” que até o ano passado de 2015, as 18 horas, eu sintonizava a Rádio Campos Difusora, para escutar Valdebrando Silva. Suas palavras nos conduzia a um momento mágico do dia, que nem era mais dia nem ainda era noite, mas era a hora do mistério, o mistério que foi a encarnação de Jesus no seio imaculado de Maria. Mas Valdebrando Silva faleceu e sua voz se calou. A Hora da Ave-Maria não era apenas um ministério de veneração à mãe de Jesus, mas se transpunha do religioso para entrar num apostolado de assistência social que atendia a inúmeras pessoas portadoras de necessidades e que mobilizava uma enorme cadeia de benfeitores sensibilizados pelas palavras e reflexões de Valdebrando.


   A prece da Ave-Maria às l8 horas, denominada “A HORA DO ÂNGELUS”, nos lembrava o momento da anunciação - feita pelo anjo Gabriel a Maria - da concepção de Jesus Cristo. No mundo cristão essa é uma hora rememorada através de preces e orações, e a Hora da Ave-Maria, fez com que muita gente tenha saído da tristeza para a alegria da esperança, pois Jesus Cristo nunca deixa de atender aos pedidos feitos a Ele através de sua mãe Maria. Nessa hora recebiamos incontáveis palavras de  conforto, de estímulo e de esperança que Valdebrando levava aos seus ouvintes. E em suas palavras ficava claro que só temos duas certezas absolutas na vida: estamos vivos e um dia vamos morrer, mas ninguém sabe quando nem como. Esta certeza incerta nos incomoda e nos preocupa, e entregamos esta realidade a Deus pelas mãos de Maria, como Valdebrando nos fazia entender todos os dias, ao terminar a prece dizendo: “agora e na hora de nossa morte”. Ao pé da Cruz, Maria participava ativamente, oferecendo-se ao Filho, compadecendo-se de forma indescritível com Ele. E Maria está conosco em todos os momentos de nossas vidas, especialmente nos mais difíceis. Paz e Bem!

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