TRÊS
COISAS IMPORTANTES NA VIDA...
Alberto R. Fioravanti
Artigo que escrevi em Janeiro de 2018.
Num desses dias, depois de deixar meu
carro para revisão, aproveitei para regressar a casa caminhando pelas ruas de
Campos e fazer assim meu exercício matinal. Já cansado fui parar nos Jardins de
São Benedito, onde me sentei num banco de concreto, meio destruído. Enquanto
tratava de controlar minha respiração comecei a olhar pelos arredores, e por
todos os lados se viam promontórios de lixo e bancos de concreto, quase
destruídos, como no que me encontrava sentado, latas vazias e um pouco de lixo
queimado por grupos de pessoas “sem-teto” que faziam ponto no jardim. Aquele
lugar era um total deposito de lixo.
De pronto, algo chamou minha vista, vi um céu de cor
verde, que não me deixava ver mais além. Fiquei impressionado. Senti de
imediato que aquele céu começou a se mover de um lado para o outro; começou a
soprar uma brisa fresca do nordeste que purificou o fétido odor que infestava
aquele lugar. Meus olhos se fecharam e, como se eu tivesse abordado uma máquina
do tempo, instantaneamente eu retrocedi a 1954, e naquele mesmo lugar eu estava rodeado dos
companheiros de infância com os quais ali brincava.
Num
dos lados do jardim, próximo a uma grande pedra branca, vi um senhor que com uma pá
na mão cavava um buraco no chão. Era um professor de uma escola vizinha e que
estava acompanhado de seus alunos; eu e os outros meninos olhávamos fixamente
para cada golpe que ele dava no solo como se estivesse perfurando o coração da
terra. Todos nós estávamos calados, ninguém respirava mais profundo do necessário.
Ao terminar de escavar, de uma velha sacola o professor extraiu uma bolsa de
plástico cheia de terra e fertilizante que serviam de proteção para um ramo de
quase um metro de altura. Ele rompeu a bolsa bem perto do buraco cavado onde colocou
aquele ramo e o cobriu com uma capa de terra.
Ato
seguido ele derramou água e novamente colocou outra capa de terra. Levantou-se,
limpou as mãos que estavam sujas de terra e sacudiu a roupa e olhou ao redor
para seus alunos e para quem estava no Jardim. Todos que estavam com ele o olhavam
com respeito, pois era um professor bem estrito. Ele respirou uma bocada de ar
e dirigindo-se a todos disse: “O homem tem que fazer três coisas importantes
nesta vida para dizer que realmente sua passagem por este mundo não foi em vão:
Uma dessas coisas é ter um filho, e no futuro, vocês serão pais e mães; A outra
é escrever um livro e vocês escrevem livros todos os dias na escola quando
estudam e em suas casas quando fazem seus deveres. E a terceira, mas não menos
importante, é plantar uma árvore. Eu já cumpri com as três. Agora, vocês devem
cumprir com a terceira”. Então o professor convidou a todos os presentes para
que pegássemos um pouco de terra com as mãos e a jogássemos ao pé daquele
pequeno galho.
Ao
me recuperar do cansaço da minha longa caminhada, pode ser que tenha sido minha
imaginação ou simplesmente eu assim quero recordar, mas aos meus ouvidos chegou
um suave sussurro que me dizia; “Ola,
amigo você se lembra de mim? Que prazer de encontrar-lo outra vez! Há anos que
não nos víamos! É uma pena que me encontres nestas condições, mas sabe
realmente que não posso fazer muito”! Eu sorri, e regressei a casa contente
e logo providenciei para que aquela área fosse devidamente limpa. Era aquele
lugar onde há mais de 60 anos se havia tornado numa das bonitas recordações de
minha infância, ao ter participado da plantação daquela arvore que, frondosa,
resiste até hoje.
Que
grande satisfação ver essa árvore e por ela ter sobrevivido todo esse tempo,
enquanto que com tristeza vejo frequentemente muitas grandes árvores sendo
cortadas para dar espaço a inumanas construções. “Ter um filho, escrever um livro, plantar
una árvore...”, é o que dizem os
sábios. Mas ninguém afirma sobre a ordem dos fatores e de se começar detrás para
frente. Por isso, eu sugiro a todos, que comecem plantando una árvore, que para
isto não há limite de idade nem é necessário ser um destacado intelectual. Felizmente
Eu já cumpri com as três coisas. Paz
e Bem!
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