sábado, 25 de abril de 2020


                                   TRÊS COISAS IMPORTANTES NA VIDA...
Alberto R. Fioravanti
Artigo que escrevi em Janeiro de 2018.

            Num desses dias, depois de deixar meu carro para revisão, aproveitei para regressar a casa caminhando pelas ruas de Campos e fazer assim meu exercício matinal. Já cansado fui parar nos Jardins de São Benedito, onde me sentei num banco de concreto, meio destruído. Enquanto tratava de controlar minha respiração comecei a olhar pelos arredores, e por todos os lados se viam promontórios de lixo e bancos de concreto, quase destruídos, como no que me encontrava sentado, latas vazias e um pouco de lixo queimado por grupos de pessoas “sem-teto” que faziam ponto no jardim. Aquele lugar era um total deposito de lixo.

De pronto, algo chamou minha vista, vi um céu de cor verde, que não me deixava ver mais além. Fiquei impressionado. Senti de imediato que aquele céu começou a se mover de um lado para o outro; começou a soprar uma brisa fresca do nordeste que purificou o fétido odor que infestava aquele lugar. Meus olhos se fecharam e, como se eu tivesse abordado uma máquina do tempo, instantaneamente eu retrocedi a 1954, e naquele mesmo lugar eu estava rodeado dos companheiros de infância com os quais ali brincava.

            Num dos lados do jardim, próximo a uma grande pedra branca, vi um senhor que com uma pá na mão cavava um buraco no chão. Era um professor de uma escola vizinha e que estava acompanhado de seus alunos; eu e os outros meninos olhávamos fixamente para cada golpe que ele dava no solo como se estivesse perfurando o coração da terra. Todos nós estávamos calados, ninguém respirava mais profundo do necessário. Ao terminar de escavar, de uma velha sacola o professor extraiu uma bolsa de plástico cheia de terra e fertilizante que serviam de proteção para um ramo de quase um metro de altura. Ele rompeu a bolsa bem perto do buraco cavado onde colocou aquele ramo e o cobriu com uma capa de terra.

Ato seguido ele derramou água e novamente colocou outra capa de terra. Levantou-se, limpou as mãos que estavam sujas de terra e sacudiu a roupa e olhou ao redor para seus alunos e para quem estava no Jardim. Todos que estavam com ele o olhavam com respeito, pois era um professor bem estrito. Ele respirou uma bocada de ar e dirigindo-se a todos disse: “O homem tem que fazer três coisas importantes nesta vida para dizer que realmente sua passagem por este mundo não foi em vão: Uma dessas coisas é ter um filho, e no futuro, vocês serão pais e mães; A outra é escrever um livro e vocês escrevem livros todos os dias na escola quando estudam e em suas casas quando fazem seus deveres. E a terceira, mas não menos importante, é plantar uma árvore. Eu já cumpri com as três. Agora, vocês devem cumprir com a terceira”. Então o professor convidou a todos os presentes para que pegássemos um pouco de terra com as mãos e a jogássemos ao pé daquele pequeno galho.

            Ao me recuperar do cansaço da minha longa caminhada, pode ser que tenha sido minha imaginação ou simplesmente eu assim quero recordar, mas aos meus ouvidos chegou um suave sussurro que me dizia; “Ola, amigo você se lembra de mim? Que prazer de encontrar-lo outra vez! Há anos que não nos víamos! É uma pena que me encontres nestas condições, mas sabe realmente que não posso fazer muito”! Eu sorri, e regressei a casa contente e logo providenciei para que aquela área fosse devidamente limpa. Era aquele lugar onde há mais de 60 anos se havia tornado numa das bonitas recordações de minha infância, ao ter participado da plantação daquela arvore que, frondosa, resiste até hoje.

Que grande satisfação ver essa árvore e por ela ter sobrevivido todo esse tempo, enquanto que com tristeza vejo frequentemente muitas grandes árvores sendo cortadas para dar espaço a inumanas construções.  “Ter um filho, escrever um livro, plantar una árvore...”, é o que dizem os sábios. Mas ninguém afirma sobre a ordem dos fatores e de se começar detrás para frente. Por isso, eu sugiro a todos, que comecem plantando una árvore, que para isto não há limite de idade nem é necessário ser um destacado intelectual. Felizmente Eu já cumpri com as três coisas.  Paz e Bem!

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