MEMÓRIA DE MEU PAI.
Escrito em 2 de fevereiro de 2014 às 23:52
De casa, papai saía de manhã muito cedo,
levava na mão sua pasta marrom,
na que já se notava os maus tratos do tempo.
Seria mais um dia de intenso caminhar,
visitando médicos em seus consultórios.
Essa era a vida diária de um viajante,
um representante de produtos farmacêuticos.
Em sua pasta levava os mais recentes remédios,
para aos médicos entregar e explicar seus efeitos.
E quando o sol desaparecia no horizonte,
do portão de casa eu o esperava chegar.
Ele vinha a pé ou de bonde,
que ainda em movimento, na esquina saltava.
A alegria de ver meu pai chegar era tanta,
que a seu encontro eu corria alegre,
e em seus braços pulava e o beijava.
Hoje que eu habito em um ser desabitado,
me vejo vazio e não mais vejo as pegadas,
dos passos por onde sei que meu pai andou.
E saio pelo mundo a buscar meu pai e amigo,
mas sei que ele está aqui, pois junto de nos ficou
para ir somente quando juntos formos.
Alberto R. Fioravanti
Campos dos Goytacazes, 2 de fevereiro de 2014.
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