sexta-feira, 3 de julho de 2020


A PANDEMIA DO CORONAVIRUS E O NOSSO FUTURO.

*Alberto Rosa Fioravanti.

            Caros leitores, estamos vivendo uma época muito trágica. As milhares de mortes informadas e a grave crise socioeconômica que a pandemia de coronavírus está gerando no mundo me fizeram lembrar que Octavio Paz, escritor mexicano, disse que na civilização moderna vivíamos o “declínio da virtude e a fraqueza diante de paixões fáceis e ocultação de morte". Também me lembrei do francês Henri Bergson, que nos anos trinta do século passado, falou do futuro advento de uma "civilização afrodisíaca". Parece-me que Bergson antecipou o que estávamos experimentando antes da pandemia, particularmente, mas não apenas no mundo desenvolvido.

            É triste afirmar, mas vivemos numa sociedade rica em materialismo, relativismo, egoísmo e um hedonismo promíscuo. Nessa sociedade a cultura perdeu muito do seu senso de transcendência e seus pontos de referência são caracterizados pelo fenômeno do consumismo. Essa é uma cultura que identifica a pessoa com o que ela é capaz de buscar por prazer, transformada no eixo central da existência humana; o objetivo final é "ser feliz", mesmo que quimicamente.

            São João Paulo II, em seu “Centesimus Annus”, nos alertou que: “O desejo de viver melhor não é ruim, mas o estilo de vida que se presume ser melhor, quando é orientado a ter e não ser, e quem quer ter mais, está errado. não para ser mais, mas para consumir a existência em um gozo proposto como um fim em si mesmo”. Octavio Paz também nos diz que: "o homem não sabe o que fazer com seu tempo; ele se tornou escravo de diversões geralmente estúpidas e as horas que ele não dedica ao lucro as consagra a um hedonismo fácil”.

            No contexto da mentalidade consumista de nossa sociedade está a idéia de que a ação material de possuir uma coisa e usá-la pode resolver todos os problemas e nos libertar de nossa “escravidão”, inclusive de natureza interna. Também o cientista político italiano Antonio Gambino afirma que o termo "consumir" perdeu toda a substância e coincide com uma busca obsessiva de distinguir e se opor aos outros, com uma posse que adquire valor e prazer se você tiver mais do que outros e com exclusão dos demais. Assim vimos o surgimento de produtos e de serviços "exclusivos". A liberdade tende assim a se relaxar na devassidão. Vemos aí que a vídeo-cracia predominante vem atrofiando a capacidade de raciocínio de grande parte da humanidade. E como o cientista político italiano Giovanni Sartori nos diz, o “Homo sapiens” está gradualmente se transformando em “Homo videns”, que vê muito e pensa pouco, e seu mundo é de muitas imagens, mas de poucos conceitos.

            Dessa forma, se continuarmos nesse caminho, as leis da evolução poderão produzir um Homem caracterizado por uma cabeça pequena, que conterá um cérebro minúsculo e subutilizado e olhos brotados gigantescos, com visão de "cinerama", preenchida com uma expressão vacilada e idiota. Além disso, ressalto que várias dessas preocupações atuais sobre o presente e o futuro da humanidade, também as encontramos em vários livros de conhecidos escritores, como em “A civilização do espetáculo”, do peruano Mario Vargas Llosa, e no que o polaco Zbigniew Brzezinski em "Cornucópia Permissiva". Por outro lado, o escritor francês Jacques Attali também afirmou, há alguns anos, que os problemas que atormentarão o homem "exigirão que restauremos a idéia do mal e do sagrado, no centro da vida política". Nessa mesma ordem de idéias, o mexicano Octavio Paz nos diz novamente: "Devemos recuperar a consciência da condição trágica do homem, sempre suspensa, desde o início, entre a vida e a morte, o bem e o mal".

            Ainda hoje está difícil calcular de forma precisa os danos que o coronavírus (Covid-19) está causando na esfera global. São milhares de mortes, a ruptura do sistema de saúde de muitos países atingidos e a crise econômica que já alcança pelas mais diversas camadas sociais e ainda não se sabe, de forma clara e precisa, como ocorreu à mutação do vírus que agora protagoniza um dos mais graves períodos da história da saúde mundial. 

            Este fatídico ano de 2020 é como um trailer de um futuro projetado pela ciência, caso a humanidade não mude sua relação com o nosso planeta. Podemos dizer que o lado bom dessa tragédia é que o atual confinamento da população, por uma questão médica, está servindo como um doloroso alerta para cenários catastróficos que poderão se materializar, casoel essa situação seja irreversível, como no presente processo de aquecimento global...

            Eu peço a Deus que nos conceda que essa tenebrosa pandemia termine o mais em breve possível e espero que, por tudo que vem acontecendo, no fim ela também nos deixe uma Humanidade mais fraterna, mais solidária e mais humanista. Finalizando, recomendo que fiquemos em casa é só sairmos em caso de real necessidade para ir ao supermercado ou a farmácia, usando mascara de proteção, mantendo distância das pessoas que estiverem nesses lugares.  
Alberto R, Fioravanti
1 de julho de 2020

2 comentários:

  1. Lindo texto adoro ler seus artigos. Sou sua fã. Acredito que temos um grau de parentesco. Meu bisavô paterno era João Cristino Fioravanti natural de São Borja Rio Grande do Sul. Meu avô Antônio Aladino Fioravanti. Abraços

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. Definitivamente nós somos parentes pois defendemos do primeiro Fioravanti que veio ao Brasil e se radicou no RS.

      Excluir