terça-feira, 16 de junho de 2020


A SAUDADE MORA NA MINHA ALMA E NO MEU CORAÇÃO!!!


Não sou poeta, mas a saudade em si já é uma poesia
e motiva a poetas a escreverem maravilhas sobre ela.
Hoje a saudade saiu do coração e invadiu minha alma,
e ao projetar minha mente no tempo e no espaço me motiva
a escrever, transcrever e expressar toda a saudade que sinto.
Uma tarefa difícil, mas deixo minha mente divagar livremente.

Saudade! Que palavrinha pequena que parece tão triste.
Parece triste, mas não é! Ainda que até possa motivar lágrimas!
Com apenas sete letras escrevemos saudade,
e são sete letras que não contém nenhuma mentira!
Na verdade a saudade é a alegria de estarmos vivos,
já que tem o poder de nos fazer pensar e recordar.

Muitas músicas, em meu tempo de criança, faziam elogios à saudade.
“Recordar é viver, eu ontem sonhei com você”. Lembram-se?
Que saudade alegre de tudo aquilo que marcou minha vida.
Imaginem só! Saudades do Jardim de Infância Rui Barbosa.
E como me lembro bem dele, lá na Rua Sete de Setembro...
E das brincadeiras de roda com minha primeira professora, Dona Carolina.

Lá de longe, do infinito, escuto a voz de Dona Blandina Melo,
minha querida professora no curso primário, e depois no Liceu,
Meus ouvidos escutam a “Canção do Exílio” de Castro Alves,
e cada verso, e cada palavra, como um sino, repicam no meu coração:
"Minha terra tem palmeiras, Onde canta o Sabiá;
As aves, que aqui gorjeiam, Não gorjeiam como lá”.

Que saudade de olhar para o infinito na nossa planície goitacá;
Que saudade de passear pelas alas dos seus majestosos canaviais.
Que saudade de ver a fumaça das chaminés das usinas de açúcar;
Que saudade das viagens ao Rio no trem noturno da Leopoldina.
Que saudade do bonde que passava pela Rua do Sacramento;
Que saudade dos jogos de bola em frente de minha casa.

Que saudade de meu pai e de seus retratos amarelados pelo tempo.
Que saudade do cheiro e do sabor das comidas de minha mãe.

E quando escuto uma um acorde da "Polonaise" de Chopin,
da minha alma brotam lindas recordações do passado,
E eu sinto saudades... E isso me faz bem! Muito bem!

Eu sinto saudades dos os amigos que já partiram,
e saudades dos pais dos meus amigos com quem convivi.
Sinto saudades daqueles amigos vivos que nunca mais os vi,
e daquelas pessoas com quem cruzei, mais não falei...
Sinto saudades da minha infância que passou rapidamente,
e até do tempo em que eu tinha apenas um ano.



É incrível, mas a saudade me faz ver o passado como um filme,
e até vejo cenas do meu primeiro aniversário em Muqui.
Vejo nossa chegada a Campos e nos hospedar no Hotel Silva,
naquele pequeno quarto no térreo, onde fizemos grandes amizades.
Que saudades da Dona Alzira, que gerenciava o hotel.
Que saudades de Seu Eyder e Dona Esther que ali conhecemos.

De todas as minhas idades, eu tenho grandes saudades...

Saudade de todos os bancos escolares e dos colegas.
Saudade do meu despertar para o amor.
Saudade do tempo de namoro no Jardim São Benedito.
Saudade das matinês de Carnaval no Clube Regatas Saldanha da Gama.
Saudade das coisas da infância que o tempo não consome.

Revejo com saudade o espirito da família de Nazaré,
que estava sempre presente nas comemorações religiosas da cidade:
Nas festas de São Benedito, logo depois da Páscoa com sua procissão,
Suas barraquinhas e com o leilão de prendas doadas pela comunidade.
Que saudade do tempo em que as tradições eram respeitadas,
Mas já perdoei o insensato que mudou a data das festas do Santo.

Que saudade da alegria daqueles tempos de infância e adolescência,
das festas do Santíssimo Salvador, com regatas e fogos ao anoitecer.
Que saudades do tempo em que a religião unia as famílias em oração,
Com seus padres que transpiravam santidade, como Frei Pedro Domingos,
vigário de Muqui, no Espírito Santo, cidade onde milagrosamente nasci,
e do sério e alto Padre Gabriel, do Convento Redentorista de Campos.

Lembro-me do passado, mas aposto no futuro... mas sinto saudades!
Saudades daqueles dias passados, que não aproveitei de todo.
Sinto saudades do futuro que não conheço, pois ainda não chegou,
Penso no futuro que pouco a pouco vai se idealizando e formando,
e que provavelmente não vai ser do jeito com que sonho...
Mas que o futuro virá isso é certo! Virá! E sentirei mais saudades!

Sinto saudades dos amigos que deviam ter vindo, mas não apareceram;
e daqueles que apareceram correndo, sem ter tempo para ficar.
Sinto grande saudade de meu pai e de minha mãe, que já partiram,
Sinto grande saudade das minhas avós com quem aprendi muito,
Sinto grande saudade dos meus avôs, tios e tias que nunca conheci.
Sinto também saudade de quem não tive a oportunidade de conhecer bem.

Que saudade eu tenho dos amigos de quem não me despedi,
e daqueles que não tiveram como me dizer um último adeus.
Sinto saudade dos colegas e professores do tempo do Liceu;
E da gente que passou na calçada contrária da minha vida
e que só enxerguei de vislumbre, sem poder me aproximar;
e das coisas que tive e daquelas que não tive, mas quis ter.

Sinto saudade dos filhos, filhas, netos e netas que vivem perto ou longe.
Sinto também saudade das coisas que nem sei se existiram,
mas que se soubesse, de certo teria gostado de ver ou ter.
Sinto saudade de coisas que eu mesmo nem sei o que é,
e nem sei se tive ou mesmo se é que as perdi...
e das coisas que tenho vontade de encontrar, mas não sei onde.

Hoje vejo o mundo girando muito depressa,
e penso onde é que estou e onde é que poderia estar.
Então sinto saudades em inglês, espanhol, italiano, francês ou árabe.
Mas por incrível que pareça, não importa os idiomas que eu fale,
por ter nascido brasileiro, em Muqui, no Espírito Santo,
minha saudade grita alto em português ainda que seja poliglota.

Dizem os entendidos, que sempre se usa a língua pátria,
espontaneamente, nos momentos em que estamos desesperados,
como também para contar dinheiro ou declarar sentimentos fortes.
Seja lá em que lugar do mundo eu esteja, um simples "I miss you",
para mim não traduz saudade, com aquela mesma força
e muito menos com o significado que a nossa palavrinha tem.

Sinto saudade de tudo e de todos...
Sinto saudade dos brinquedos, livros e animais que tive,
e essa é a palavrinha mais doce que se pode usar.
Talvez a palavra saudade ainda não exprima, corretamente,
a imensa falta que sinto das pessoas ou coisas queridas.
E é por isso que eu tenho mais saudade ainda!

Todas as vezes que sinto um aperto forte no peito,
meio cheio de nostalgia, mas meio cheio de gostosura,
me alegro por saber que a saudade é como um sinal vital,
quando se quer falar da vida e de sentimentos profundos.
Em mim a saudade do passado e do futuro estão sempre presentes,
e ela se vê nas linhas ou entrelinhas das crônicas que escrevo.

Sentir saudade é belo, é o sinal grandioso de que estamos vivos!
A saudade é imaterial, mas ao mesmo tempo muito rica.
É a prova inequívoca de que todos nós somos sensíveis,
ao que amamos muito e àquilo que de belo já tivemos,
e também por aquelas coisas boas que perdemos,
ou mesmo das que não demos valor quando tivemos perto...

Saudade, uma palavra que parece trazer tristezas, mas não!
Saudade me traz de volta ao presente a alegria vivida no passado.
Saudade é a alma dizendo ao coração para onde deve voltar.
Mas como voltar ainda não nos é permitido, a saudade permanece.

Sinto saudade de meu pai e de minha mãe e de olhar em seus olhos,
De afagar seus rostos envelhecidos e de dizer-lhes sorrindo:
Olá Papai, olá Mamãe, e os amo e sinto a sua falta!!! Que saudade!!!

(Alberto Rosa Fioravanti)


Eu entre Anair e minha mãe.
.
Meu pai e minha mãe com uma amiga


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