Alberto R.
Fioravanti.
Publicada em 13
de novembro do jornal
“O Diário” de
Campos dos Goytacazes, RJ.
Nestes últimos tempos, temos escutado pelos
noticiários, os relatos dos inúmeros atos de corrupção perpetrados contra o
patrimônio público, e até houve sugestões que tudo era movido para um golpe de
estado. Entretanto dentre de dois dias o país estará comemorando mais uma
celebração da Proclamação da República, que foi o maior golpe de estado da
história brasileira. E aqui, resumidamente escrevo a história que os nossos
professores não nos contaram.
Diferente do que aprendi nos tempos de
escola, a república não era uma ideia que agradava a população
brasileira, pelo contrário, já em 1884, bem próximo a sua “proclamação”, apenas
três republicanos conseguiram se eleger para à câmara dos deputados e na
eleição seguinte somente um. Entretanto os republicanos tentavam a todo custo
disseminar suas ideias pelo país, porém era um trabalho em vão. Quando enfim
perceberam que não conseguiriam por fins pacíficos acabar com o império,
tiveram a grande ideia de um golpe militar. Só que para que isso acontecesse
precisariam ter o apoio de um líder de prestígio da tropa militar. Foi ai que
então resolveram se aproximar do Marechal Deodoro da Fonseca em busca de apoio.
O que grande parte das pessoas não sabe é
que foi tarefa difícil convencer o Marechal Deodoro a dar o golpe, tendo em
vista que o mesmo era amigo pessoal do Imperador Dom Pedro II e era um dos
maiores defensores do Monarquismo. Poucos sabem, mas desde meados de 1850, Dom
Pedro II se declarava publicamente contra o regime de escravidão. Fato esse
corajoso, tendo em vista que poucos brasileiros na época se manifestavam contra
o regime. O imperador considerava a escravidão uma vergonha nacional e tampouco
possuiu escravos.
A escravidão no Brasil vinha sendo extinta
de forma gradual através de várias medidas. Em 1888, quando princesa Isabel
Decretou a Lei Áurea, os donos de escravos sentiram-se traídos pelo regime
monárquico e como uma forma de vingança tornaram-se republicanos. Os mesmo que são
chamados de republicanos de última hora.
Em 14 de
novembro de 1889, os republicanos fizeram correr um boato sem fundamento, de
que o governo do primeiro-ministro visconde de Ouro Preto havia
expedido ordem de prisão contra o Marechal Deodoro. Ninguém falava em proclamar
a República, tratava-se apenas de trocar o Ministério, e o próprio Deodoro,
para a tropa formada ante o Quartel-General, ainda gritou "Viva Sua Majestade, o Imperador!” Enquanto isso, Dom
Pedro II reuniu o Conselho de Estado no Paço Imperial, aceitou a
demissão do visconde de Ouro Preto e iniciou a organizar o novo
Ministério. Os golpistas, para convencer
a Deodoro romper os laços com a monarquia, na madrugada do dia 16, o informou
que o escolhido pelo Imperador, era Gaspar Silveira Martins, correligionário do
visconde e político gaúcho, com quem o Marechal não se dava por conta de terem
disputado o amor da mesma mulher na juventude e ela preferiu a Silveira Martins.
A República nasceu assim como uma aceitação
das elites e foi realizada pelo exército brasileiro, garantindo os privilégios
das classes dominantes e a negação de direitos às classes exploradas durante
muito tempo. E hoje, como se comporta a República? Paz e Bem!
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