quarta-feira, 7 de março de 2012

MÃE DO PERPÉTUO SOCORRO


MÃE DO PERPÉTUO SOCORRO

Junho é um mês festivo. No dia 27 tivemos a festa de Maria, a Mãe do Perpétuo Socorro. Festa daquela mesma Maria que ensinou Jesus a andar e falar, e que é representada por um ícone antiquissímo e de estilo bizantino. A Igreja Ortodoxa a reconhece como a Mãe de Deus da Paixão, ou ainda, a Virgem da Paixão. Esse ícone é venerado em Roma, desde 1865, na igreja redentorista
de Santo Ildefonso, onde estive várias vezes, para onde foi levado para os filhos de Santo Afonso de Ligório de divulgarem o Perpétuo Socorro através de Maria.

Mas não foi em Roma que conheci a Nossa Senhora do Perpétuo Socorro. Foi aqui mesmo, em Campos dos Goytacazes, na pequena Capela do Convento dos Padres Redentoristas, onde, a
partir de 1950, minha mãe me levava à missa e ao catecismo. Ali tive o privilégio de ver o pequeno convento transformar-se na magnífica igreja inaugurada em 1955.

A tipologia da “Mãe de Deus da Paixão” está presente no repertório da pintura bizantina desde
muitos séculos. Desde pequeno eu me impressionava com a figura principal do ícone - a mãe de Deus que, cheia de majestade, é destacada ainda mais pelo fundo dourado, e com a estrela de oito raios que brilha sobre sua cabeça. Se essa visão é linda para nós, adultos de hoje, imaginem como é para uma criança. Meu pai sempre me dizia que as estrelas guiavam os navegantes pelos mares, mas que essa estrela na cabeça de Maria nos guiaria sempre no mar da vida, até o dia em
que chegaremos ao porto da salvação, que é Jesus.

Somente quando já adulto observei que à altura da cabeça de Nossa Senhora estão umas letras, “MP ØY”, que são a abreviatura de “Mãe de Deus”, e que resumem toda a sua grandeza - "METER THEOU”. À altura da cabeça do menino Jesus também se vê “IC XC”, que são a primeira e a última letra das palavras gregas “IESOUS CHRISTOS”. E as letras que estão abaixo dos arcanjos correspondem à abreviatura de seus nomes. Para mim foi impressionante notar que o menino Jesus, embora criança, tem uma expressão de maturidade, como convém a um Deus eterno, mas que olha apreensivo para os instrumentos da sua paixão, apresentados pelos Arcanjos Miguel e Gabriel de um lado e do outro de Maria, segurando a cruz e a lança e a cana com uma esponja na ponta, ensopada de vinagre (Jo 19,29).

Na verdade, a tipologia do ícone é bizantina, mas leva algo novo - o movimento e o olhar assustado do menino Jesus, de cujo pé lhe cai a sandália e ainda mais, é a comovente ternura do rosto da sua mãe. Essa cena nos serve para recordar que somos pecadores e presos a Jesus por um último fio, a devoção a Nossa Senhora. O menino Jesus assustado se agarra à sua mãe, suas mãozinhas apertando a mão de Maria, como pedindo proteção... Nesse momento de aflição, a sandália de seu pé esquerdo se desamarra. Com confiança agarremos também a mão da nossa Mãe do Perpétuo Socorro. Com amor e carinho ela intercederá por nós ante seu filho amado.

O ouro no fundo do ícone vem simbolizar a glória do paraíso, para onde iremos levados pelo Perpétuo Socorro de Maria, que está vestida com uma túnica de cor púrpura, distintivo das virgens no tempo de Maria e com um manto azul escuro, indicação de sua humanidade e que lhe cobre também a cabeça. Os olhos de Maria, grandes e amorosos, estão voltados para nós, a fim de ver todas as nossas necessidades. Sua boca é pequenina para guardar silêncio e evitar as palavras inúteis. O Menino Jesus, se aconchega aos braços de sua Mãe e os dedos de Maria apontam para o Filho como a indicar “Este é o Senhor Nosso Deus”. Sua mão direita estendida em direção ao menino Jesus mostra sua disposição de ser intercessora por nós junto a seu Filho.

A devoção à Nossa Senhora do Perpétuo Socorro deve-se aos Missionários Redentoristas que a difundiram pelo mundo. Foi em 1996 que sua igreja aqui em Campos dos Goytacazes, se tornou Santuário de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, onde podemos estar perto do ícone, cópia
fiel do que está em Roma. Nesta oportunidade não poderia deixar de recordar dois grandes redentoriatas holandeses que me fizeram conhecer e amar a “Mãe do Perpétuo Socorro”, o Padre Gabriel e o Padre Ambrósio, que hoje certamente estão com Ela no céu.

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