
DOM BOSCO E O FASCINIO DOS MÁGICOS
Crônica publicada no jornal “O Diário” de Campos dos Goytacazes, em
4 de fevereiro de 2012.
No dia 31 de janeiro se comemorou o Dia do Mágico, esse fantástico profissional que é capaz de criar ilusões, levando encantamento e fascinação às pessoas, exercendo um conjunto de técnicas que demonstram um controle oculto. A mágica traz consigo elementos que sugerem ser sobrenaturais onde, segundo o dicionário Aurélio “se pretende produzir efeitos e fenômenos contrários às leis naturais”, daí o seu poder de seduzir as pessoas.
Segundo a história, a comemoração aos mágicos surgiu em homenagem a São João Bosco, o
padroeiro dos mágicos, na data de seu falecimento, em 1888. É interessante destacar que em sua juventude, João Bosco atuou como mágico, malabarista e acrobata, nas feiras locais. Mas o jovem também utilizava suas habilidades artísticas na porta de sua casa, onde atraia a atenção das pessoas e depois as convidava para rezarem o terço, que era seguido de sua alegre pregação. Isso se tornou uma prática constante na sua juventude e ele sempre ganhava novos adeptos.
Desejando fazer-se padre e dedicar-se totalmente à salvação das almas, enquanto trabalhava de dia, João Bosco passava as noites sobre os livros, até que, aos vinte anos de idade, entrou no Seminário, sendo ordenado Sacerdote, aos vinte e seis anos, em 1841. Dom Bosco foi uma pessoa maravilhosa que formou gerações de santos e levou milhares de jovens ao amor de Deus, e sua obra está espalhada pelo mundo. A sua espiritualidade é magnífica, e se expressa como um modo de vida que, tanto no aspecto temporal como no espiritual, educa pelo exemplo.
A espiritualidade salesiana não pode ser vivida em clausura. É próprio dessa espiritualidade reunir as pessoas em família, padres, irmãos e irmãs de vida consagrada, fiéis católicos casados ou não em torno dessa missão de atender, cuidar, educar e amar a juventude.As últimas palavras de Dom Bosco foram: “Façamos o bem a todos e o mal a ninguém”;... “Dizei aos jovens que os espero no Paraíso...”. “Fiz tudo quanto soube e pude pelos jovens, que são o amor de toda minha vida”. A vida de São João Bosco foi um milagre constante e ele conseguiu, sem dinheiro algum, construir escolas e igrejas, uma é a célebre Basílica de Nossa Senhora Auxiliadora. Em 1934 foi canonizado e em 1988 recebeu do Papa João Paulo II o título de Pai e Mestre da Juventude.
Mesmo sem saber do interesse de Dom Bosco pela mágica, em criança eu ficava fascinado ao assistir apresentações de mágicos famosos, como Fu Man-Chu, Thiany e outros, que vieram à Campos. A partir de 1963, quando fui morar em Niterói, conheci e fiz amizade com muitos mágicos, em especial com Altamirano (Tamir), um mágico aposentado, que teve um excelente show mágico. Hoje um de meus netos, André Luiz, com 10 anos, se diverte com a mágica e quando vamos a Niterói o levo para conversar com Kasimirus, no Campo de São Bento, um argentino residente no Brasil e hábil professor de mágicas. Li muitos livros sobre truques e prestidigitação, e hoje truques e livros são vendidos nas bancas de revista. Os artigos facilitam o aprendizado, mas as mágicas requerem treinamento contínuo para serem bem apresentadas e nunca se deve revelar o segredo para ninguém.
O ilusionismo moderno deve seu desenvolvimento a Jean Eugène Robert-Houdin, um relojoeiro que abriu um teatro de magia em Paris na década de 1840. Dentre os mágicos mais famosos do mundo podemos citar a Harry Houdini, que é ainda considerado como o rei do escape e o maior mágico de todos os tempos. Um grande mágico da atualidade é David Copperfield – que com 19 anos já possuía seu programa na televisão e foi o primeiro mágico a se apresentar na Broadway. Lembro de “Mister M”, um mágico controvertido que mostrava as técnicas dos truques, e David Blane, que inclusive fazia performances de levitação pelas ruas.
É comum confundir a mágica ou ilusionismo com magias, quer são de cunho espiritual e não tem qualquer ligação com as mágicas ou ilusionismo que vemos na televisão ou nos teatros. Podemos dividir a arte mágica em grupos, sejam elas feitas com cartas de baralho, lenços, dados, objetos escondidos, animais, pessoas, moedas, argolas, e outro.
Os mágicos sempre me impressionaram, mas foram os professores quem, desde o jardim de infância, fizeram as verdadeiras mágicas nas salas de aula, para nos ensinar tudo aquilo que necessitaríamos para sermos bons cidadãos e bons profissionais.
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